Apesar da expectativa para ingressar no Ensino Superior, estudantes devem contar com o apoio da família, amigos, escolas e universidades

Ingresso na universidade cada vez mais jovem, inúmeras alternativas de cursos, modalidade de curso superior para escolher… São tantas pressões que é cada vez mais difícil para os estudantes decidirem qual caminho seguir no Ensino Superior. Às vezes, a família pressiona porque acredita que o curso não garante bom retorno financeiro. Outras vezes, o problema está no excesso de cobrança do próprio aluno. Nesses momentos, o que deve ser feito?

A primeira atitude, de acordo com a professora do curso de Psicologia da Escola de Ciências Sociais e da Saúde e pesquisadora do Programa em Nome da Vida, Vera Morselli, é ter calma e se conhecer melhor, principalmente as virtudes e as dificuldades que podem ser os diferenciais na escolha dos cursos. “A pressão não começa na véspera do vestibular, mas inicia desde o momento em que o estudante entra no Ensino Médio. Hoje,esta etapa do ensino é concluída quando estão completando 17 anos. São extremamente jovens e é muito difícil decidir o que se quer da vida nesta idade”, explica a professora.

Vera detalha que existem diversos fatores que pressionam os alunos no processo de vestibular, como a família, a escola, os colegas e o próprio estudante. “Têm muitos que fazem opção por estudar em determinadas universidades. ‘Eu não quero esta, tem que ser esta’. Aí ele passa em uma, passa em outra, mas só serve se for aquela”, comenta.

Trabalhar com a motivação

A busca por novos caminhos após o término do Ensino Médio faz com que muitos alunos sofram com a pressão. Porém, os vestibulandos devem manter os pés no chão e não desistir nos primeiros obstáculos que aparecem pelo caminho. Quando estipulada uma meta, os estudantes devem ser impulsionados pela motivação, estipuladas pela vontade e livre de imposições alheias.

Para a professora Vera Morselli, o primeiro passo a ser tomado deve ser a escolha daquilo que o aluno quer para “a sua vida”. A partir desse momento, o estudante poderá definir todo o planejamento para alcançar a meta de conquistar a profissão que sempre sonhou.

A professora ainda afirma que os estudantes recebem diferentes tipos de pressão, oriundos das escolas, famílias e amigos. “Isso também gera uma cobrança enorme por parte do próprio aluno de ingressar em uma determinada universidade”, explica. Esse tipo de pressão faz com que o estudante se prepare em tensão permanente, comprometendo toda motivação dos vestibulandos e, possivelmente, os resultados planejados não serão alcançados.

Entrar em um curso e se decepcionar com os resultados alcançados é comum na carreira acadêmica. Entretanto, a professora ressalta que há muitos caminhos a serem tomados pelos estudantes.

Ansiedade antes da avaliação

A decisão de escolher o curso é pesada demais para os estudantes. Muitos a consideram como a principal escolha da carreira e esse fator pode gerar condições que afetam o desempenho dos estudantes, como o estresse e a ansiedade. Obviamente, aqueles que almejam a aprovação devem estudar, mas tudo deve ser feito dentro dos limites para não gerar problemas para a própria saúde.

O fato de não passar no primeiro vestibular não deve ser visto como o “fim do mundo”. Para isso, os estudantes sempre têm uma segunda chance que, às vezes, chega em apenas seis meses. Durante esse período, ele terá ainda mais condições para estudar e se capacitar para conseguir a aprovação.

“Muitos saem de orientações sem uma definição do que quer fazer. Os jovens podem atuar em diferentes áreas, principalmente com as evoluções tecnológicas.”

O papel da família

É fato que os pais sempre querem o melhor para os filhos e a pressão por escolher uma profissão que garanta um bom retorno financeiro acontece com frequência, mesmo não sendo um caminho desejado pelos estudantes. Porém, a família também tem um papel fundamental no bom desempenho dos estudantes no vestibular, como na criação de horários e situações que permitam aos jovens se dedicarem aos estudos.

Outro ponto que pode ser fundamental para que os estudantes possam evoluir é a contribuição dos professores ainda no Ensino Médio. Para Vera Morselli, as escolas poderiam promover encontros entre profissionais de diferentes áreas de atuação com alunos para auxiliá-los na escolha do melhor caminho na graduação. “O jovem tem ideia de que um engenheiro civil só vai trabalhar com obras, sabemos que um engenheiro pode estar dentro de empresas multinacionais também. Eu acredito que as escolas poderiam contribuir muito com isso”, explica.

Por outro lado, as universidades também podem auxiliar na escolha do curso através do diálogo com os alunos. “As instituições de Ensino Superior podem trazer os alunos para escutar profissionais. A PUC faz isso. Chamar os alunos para que as pessoas, em 15 minutos, expliquem como é o seu trabalho é fundamental. As universidades também poderiam ir até as escolas para falar um pouco, orientar os jovens”, detalha a professora.

É fundamental que os estudantes escolham a profissão que ele quer exercer durante a vida profissional. Já imaginou trabalhar em algo que não gostaria durante anos? Por isso, é bom ouvir profissionais, professores e os pais, mas a decisão deve ser do estudante e não importa se a escolha é por um curso de maior ou menor prestígio. O mais importante é ter uma profissão que te deixe feliz e que permita alcançar o sonho de ser um profissional de sucesso.