Iniciativas individuais que viram grandes projetos. Conheça alguns grupos solidários em Goiânia que nasceram a partir de um sonho particular e hoje mobilizam dezenas de pessoas em prol do bem comum

Quem caminha na Rua 7, no centro de Goiânia, se depara com uma cena inusitada: um eletrodoméstico instalado na calçada, identificado com os seguintes dizeres: “Geladeira solidária – alimentos para todos”. O objeto não passa despercebido aos andarilhos. Há quem passe e apenas olhe, há quem passe em frente por curiosidade e há quem pare, pegue discretamente o alimento ali disponível para alimentar-se e sai em silêncio. Também aparece gente que abre a geladeira e deixa ali um alimento, seja para ajudar o próximo, pagar uma promessa ou, por que não, os dois casos.

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A iniciativa partiu do empreendedor goianiense Fernando Barcelos, 46, que, incomodado com a aglomeração de moradores de rua que dormem no Centro, resolveu fazer algo que transformasse a realidade dessas pessoas. Após pesquisar iniciativas solidárias pelo mundo, ele descobriu uma ideia semelhante na Europa e importou, literalmente, a ação para Goiânia. Com um investimento inicial de R$ 300, comprou uma geladeira usada, em boas condições de uso, e instalou o eletrodoméstico na porta do seu estabelecimento. “No começo me falaram que a geladeira não ia durar três dias. Mas ela está aqui há mais de dois meses e não aconteceu nada”, relata o idealizador.

A geladeira, que funciona 24 horas por dia, de domingo a domingo, tornou-se conhecida no bairro e a ideia foi abraçada pelos funcionários do estabelecimento e moradores que vivem em prédios vizinhos. Os voluntários ajudam a repor o estoque de alimentos perecíveis e na manutenção e limpeza da geladeira. “Não me importo se a pessoa que vem é um usuário de drogas, um morador de rua, ou seja lá quem for”, conta Fernando. A geladeira fica “abastecida” por volta das 13h30 e após as 18 horas, horário que os moradores de rua normalmente passam para pegar os alimentos.

Funcionários do estabelecimento relatam que as doações de alimentos são mais frequentes quando a iniciativa é divulgada nos veículos de comunicação locais. Em função disso, a ideia de Fernando é disseminar ao máximo a iniciativa, de forma que as pessoas possam contribuir de forma continuada e não, apenas, esporadicamente. O empresário pretende instalar mais 10 geladeiras solidárias em Goiânia e disseminar a ideia pelo País. “É um projeto praticamente autossustentável. O custo é mínimo quando consideramos o tamanho do seu alcance”, reflete.

Família unida

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O exercício da caridade é uma prática contínua na família da servidora pública, Alessandra Watanabe, 32. Durante um domingo por mês, a casa de seus pais é cenário de um mutirão da salada de fruta. A iniciativa começou com poucas pessoas e, atualmente, mais de 20 voluntários formam o grupo Corrente do Amor. “Primeiro era só a minha família, depois chamamos os vizinhos, os amigos e os amigos dos amigos”, relata Alessandra. O grupo prepara, em média, de 700 a 800 potes de salada de frutas pela manhã e, por volta das 12 horas, distribui os potinhos em hospitais de Goiânia: tais como Hospital das Clínicas, Araújo Jorge, Hugo, asilos, entre outros espaços. O foco da ação são os acompanhantes dos pacientes, já que esses seguem as dietas recomendadas pela equipe médica. A iniciativa faz parte da rotina da família há sete anos e se mantém de doações dos amigos. “Cada um é responsável por trazer um tipo de fruta. Também conseguimos as doações dos potinhos e tem gente que contribui com dinheiro também”, afirma.

Solidariedade que nasce da dificuldade

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Um grave acidente de caminhão mudou por completo a vida do casal Wanessa Souza, 35, e Rodrigo Gonçalves, 31, moradores da Cidade Jardim. De cinco anos para cá, Rodrigo, vítima do acidente, passou por 11 cirurgias e toda a sua rotina precisou ser readequada para lidar com essa nova realidade. “Nós ficamos todo esse tempo morando em hospitais e nesse período percebemos as dificuldades que as pessoas passam. Achei que seria mais que justo devolver a alegria para essas pessoas de alguma forma”. A dificuldade inspirou a criação do projeto Coletando Sorrisos que funciona da seguinte forma: todos os sábados, Wanessa prepara 100 marmitas e distribui a janta para zeladores de rua, funcionários e pacientes do Cais de Campinas e Centro de Referência em Ortopedia e Fisioterapia (Crof). A janta começa a ser preparada às 14 horas e, por volta das 20h30, Wanessa e um grupo de amigos voluntários saem de carro pelas ruas de Goiânia para distribuir a comida. O projeto também se mantém por doações e pela solidariedade de pessoas que se sensibilizam com a causa.

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Tem vontade de participar ou colaborar com algum grupo solidário? Confira algumas iniciativas indicadas pela equipe do PUC VC que precisam da sua ajuda.

Coletando Sorrisos

Para ajudar, basta doar alimentos não-perecíveis. O grupo sai pelas ruas da Cidade Jardim e Campinas todos os sábados à noite e entrega marmitas para garis, zeladores de rua e funcionários de Cais de Campinas. Tendo em vista a proximidade do Natal, o grupo também está recolhendo brinquedos para doar para crianças em situação de vulnerabilidade social.
Contato: fanpage Coletando Sorrisos

Geladeira Solidária

Basta comparecer à Rua 7, n. 358, Setor Central e deixar o alimento na geladeira. É recomendável que esteja embalado, com a respectiva data de preparo e/ ou fabricação. Os interessados em instalar um eletrodoméstico coletivo no seu bairro podem entrar em contato pela fanpage Geladeira Solidária, onde são compartilhadas informações sobre como instalar e manter um equipamento assim.

Loja dos Sonhos 

Adote uma cartinha e realize o sonho natalino de uma criança: a Loja dos Sonhos é um espaço instalado no Buriti Shopping, destinado a realizar o sonho de mais de 1.500 crianças de escolas municipais e Cmeis de Goiânia e Aparecida de Goiânia. Para participar, basta ir até a loja solidária e escolher a foto de uma criança, exposta na árvore de Natal. Neste ano, podem ser doados carrinho, jogo, boneca ou bola, até o dia 13 de dezembro, das 14h às 22 horas.

Grupo Fraterno

O grupo Fraterno, coordenado pelo acadêmico de Engenharia Civil da PUC Goiás, Valter Casagrande, realiza trabalho de assistência social contínua na região do Vale do Sol, em Aparecida de Goiânia, levando roupas, livros e cestas básicas para famílias carentes. O grupo recebe doações de cestas básicas e alimentos não-perecíveis. Interessados podem entregar as doações na Rua José Advincula da Cunha, Qd 140-B, Ap 104, Cond. Azul, Setor dos Afonsos, Aparecida de Goiânia.