PUC Goiás é listada entre universidades com maior representatividade feminina

Desde 2017, as mulheres são a maioria entre os matriculados em cursos de graduação no Brasil, segundo dados do Censo de Educação Superior, divulgado anualmente pelo Ministério da Educação (MEC). A partir dos dados da última edição do censo, a de 2018, portal QueroBolsa e pela Revista Quero fizeram um levantamento para investigar quais as universidades de maior representatividade feminina no país em áreas estratégicas, como a pesquisa e a docência. A PUC Goiás aparece nas duas listas.

No levantamento, as mulheres aparecem em maioria entre as bolsistas de Iniciação Científica (IC) no cenário nacional, com 59,8%, mas ainda como minoria na docência, com 46%. As bolsas, destinadas para estudantes de graduação que desejam iniciar a experiência da vivência científica ainda na graduação, contribui para a formação de pesquisadores que ingressarão, depois, em mestrados, doutorados e que darão continuidade ao avanço da ciência e da tecnologia no país.

Foto: Ana Paula Abrão

Na PUC Goiás, 641 estudantes de graduação integraram alguma pesquisa no último semestre. No ranking nacional, a instituição ficou em 28º lugar entre as universidades com o maior número de pesquisadoras na graduação, com 60,9% de participação. No último Congresso de Ciência e Tecnologia da instituição, em outubro passado, grade parte das medalhas de mérito foram entregues a autoras, pelos trabalhos científicos de destaque (foto).

Para a pró-reitora de Pesquisa, professora Milca Severino, os dados trazidos pelo levantamento refletem a mudança estrutural ocorrida nas universidades contemporâneas, com o avanço das mulheres em posições anteriormente restrita à figura masculina. “Sem dúvida, a ciência é produto e efeito de relações de poder, e na PUC Goiás a mulher tem se revelado curiosa, criativa e empoderada do espaço acadêmico e de seu papel no processo de desestigmatização da figura do cientista”, destaca.

Entre as universidades brasileiras particulares e comunitárias com o maior número de mulheres na docência, a PUC Goiás aparece em 20º lugar, sendo a segunda no Centro-Oeste. Segundo o Censo de Educação Superior do MEC, o Brasil conta com quase 300 universidades públicas e com mais de duas mil instituições de ensino particulares ou comunitárias.

“Para mim é um propósito de vida”

Foto: Wagmar Alves

A ampliação da participação feminina em espaços e posições que anteriormente eram consideradas como ‘coisa de macho’ não veio sem luta, claro. Como lembra a pró-reitora, pouco a pouco as mulheres estão se estabelecendo como cientistas e professoras dos maiores graus educacionais. “A despeito das expectativas sociais sobre o papel feminino, as mulheres contribuem e são peça fundamental para o desenvolvimento científico mundial”, analisa.

Entre os exemplos de docentes e pesquisadoras da instituição que também influenciam outras estudantes a seguirem o caminho da pesquisa acadêmica está a professora doutora Mariana Telles, da Escola de Ciências Agrárias e Biológicas (ECAB). Reconhecida como uma das principais pesquisadoras de Goiás e agraciada com a medalha de mérito científico da PUC Goiás, a pesquisadora faz questão de incentivar estudantes a seguirem o caminho da ciência a partir do seu exemplo e de pessoas que já passaram pelos bancos da universidade – cita, entre outras histórias, a de antigas bolsistas de Iniciação Científica que hoje são professoras doutoras e pesquisadoras de peso. “Para mim é um propósito de vida estimular essas mulheres a seguirem nessa carreira ou a terem essa vivência, que é mesmo transformadora, um divisor de água na vida e na carreira de qualquer pessoa”, afirma.

Sua missão de convidar mais mulheres para o encantador mundo da pesquisa científica também continua nos eventos que organiza e nas bancas de trabalhos de conclusão que monta, como orientadora. “Ainda é algo que precisamos prestar atenção. Nós existimos, mas nem sempre somos convidadas para esses espaços”, ressalta. “Eu tento fazer ativamente esse trabalho de estímulo, ajuda e convite”, conclui.

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