Cresce o número de jovens trabalhando por conta própria em espaços compartilhados, prestando serviços para empresas em diversas localizações do globo

Em tempos de globalização, é possível trabalhar em Goiânia para uma empresa localizada em São Paulo ou Londres, por exemplo. As reuniões são feitas por vídeoconferências e as decisões discutidas em chats e fóruns on-line. Nem de longe lembram a rotina formal de trabalho em que é preciso bater ponto, trabalhar 8 horas corridas e seguir estritamente um horário de almoço. O trabalho na era da internet tem como premissa a produtividade e requer do profissional iniciativa própria para a tomada de decisões e disciplina para cumprir metas e trabalhar por conta própria.

É o caso do engenheiro da computação Lucas Garcia, que vive em Goiânia, mas trabalha para uma empresa britânica sediada em Londres. Ele conta que descobriu a vaga após buscar trabalho no exterior em sites e fóruns específicos de sua área de atuação, que é linguagens de softwares. Com pouco mais de dois anos de formado, ele passou por períodos em que trabalhou em casa e hoje divide uma mesa de trabalho em um espaço compartilhado – coworking – no Setor Oeste.

“Eu encontrei uma empresa que estava começando em Londres e, após um longo processo seletivo, eles me chamaram para trabalhar a distância. Eu trabalho sempre pensando no fuso horário já acordo tendo que me atualizar sobre o que acontece no escritório lá”, explica Lucas que diz ter encontrado no espaço compartilhado de trabalho o ambiente ideal para desempenhar suas tarefas diárias.

Geração conectada

Para o coordenador da Incubadora de Empresas PUC Goiás, professor Cárbio Almeida, cabe à nova geração modificar a dinâmica de trabalho e isso já ocorre em muitos níveis. Segundo ele, por mais que ainda exista certa resistência a novos modelos de negócio, os jovens estão com vontade de produzir coisas novas e a internet acelera e modifica a maneira como lidamos com o trabalho e pensamos sobre os negócios. “Com certeza não existem mais fronteiras para os profissionais, e é preciso buscar aprimoramento, especialmente aprendendo uma língua estrangeira”, afirma ele.

Na visão de Victor Pontes, os profissionais que mais se destacam neste novo contexto são aqueles que entram em projetos paralelos, projetos de extensão na universidade, empresas juniores e se dedicam à pesquisa. “O mundo é de quem sabe sentir, pensar e fazer. Aqueles que passam 4 anos na faculdade só absorvendo conteúdo sem produzir ou criar tem muita dificuldade de entender as novas dinâmicas de trabalho”, explica o designer.

E é com essa visão de experimentação e desenvolvimento de projetos que a Incubadora de Empresas PUC Goiás surgiu em 2015. De acordo com Cárbio, o objetivo é que os alunos busquem a incubadora com ideias e inovações, para que os projetos possam ser desenvolvidos com assessoria das mais diversas áreas do conhecimento que a universidade pode oferecer. Há, inclusive, um espaço de coworking em criação para atender os estudantes que queiram desenvolver seus projetos e planos de negócio com todo o aparato da universidade para auxiliá-los.

Diante da demanda, a expectativa é de que a Incubadora da PUC Goiás crie, já nos próximos meses, um mecanismo de seleção dos projetos que serão desenvolvidos sob a supervisão da universidade.

Pensar fora da caixa

Com todas essas modificações, é preciso que interdisciplinaridade seja uma constante no aprendizado dentro e fora do ambiente acadêmico. Este é o caso do estudante de Direito da PUC Goiás, Cássio Domingos, que resolveu aliar seus estudos à área do audiovisual. O resultado obtido por ele deu fôlego para que se unisse a outros amigos de áreas distintas para a criação de uma produtora de cinema em Goiânia.

“Houve uma pressão de pessoas próximas para que eu focasse em uma área só. Eu também pensava assim, em estudar e conseguir um trabalho fixo em Direito, ou concurso. Foi agora, na reta final do curso, que percebi que podia aliar diferentes paixões”, explica Cássio que complementa dizendo que para aqueles que não pensam de modo interdisciplinar, unir Direito e Cinema seria algo impossível.

O primeiro trabalho do estudante, o filme Tartarus, aborda o trabalho escravo contemporâneo e foi selecionado para uma mostra paralela do Festival de Cannes, na França, o Short Films Corner. “Essa mostra em Cannes é uma ótima oportunidade e dá projeção para jovens que produzem cinema”, ressalta Cássio.


 

Quer se aprofundar no assunto?

Para Steven Johnson, que já foi chamado de o ‘Darwin da Tecnologia’, as grandes inovações criadas pela humanidade não resultam de prodigiosos talentos individuais ou de mentes superiores isoladas. Ao contrário do que costumamos pensar, precisam de ambientes propícios onde possam florescer.