Exemplos mostram que é possível utilizar os recursos hídricos de forma racional e sustentável

Em tempos de crise hídrica no Brasil, e de forma mais crítica no sudeste do País, não se fala em outra coisa: dicas de como armazenar água para fazer o uso racional e sustentável da mesma. As pesquisas acadêmicas há um bom tempo já vinham antevendo o problema. Apesar de a situação no estado de Goiás, em especial em Goiânia, estar “confortável”, como informa a Saneago, existem pequenas iniciativas que fazem toda diferença no dia a dia, minimizando o desperdício desse recurso vital e tão precioso ao ser humano.

Docente do curso de Engenharia Civil da PUC Goiás, o prof. Marcelus Isaac desenvolve há um ano pesquisa intitulada Aproveitamento pluvial para uso nas bacias sanitárias, implantada e aplicada no prédio onde mora, no Setor Universitário. O trabalho conta com a participação de cinco alunos da iniciação científica e da docente Cecília de Castro Bolina, também do curso de Engenharia Civil.
Os resultados obtidos em seis meses foram bastante exitosos: no período em questão, os moradores deixaram de jogar 683 m³ de água na avenida (cada metro cúbico corresponde a mil litros de água). “Isso causou uma diminuição do escoamento superficial das ruas (as conhecidas enxurradas)”, informou. O procedimento exige um reservatório, cujo preço varia conforme sua capacidade, mas gira em torno de 30 mil reais, o que, para o custo total de um prédio não fica caro.

Cuidado com a dengue
Diante da crise, muito se fala no armazenamento da água, mas é preciso ter cuidado com esse procedimento. “As águas da chuva são ácidas. A primeira água do telhado, por exemplo, tem que ser descartada. Para cada 100 litros de chuva, é necessário jogar os 20 primeiros fora devido aos poluentes do ar, fezes de pombos etc”, atenta o professor. Essa água armazenada também precisa ser clorada. “A cloração é obrigatória. O procedimento é simples, como usar cloro de piscina ou água sanitária. O tempo de uso aumenta mais quando é filtrada, mas é bom deixar claro que não é água potável”, informou. A população também precisa tomar cuidado ao armazenar a água e, ao invés de solucionar um problema, criar outro: a proliferação da dengue.

150220 - Fábio Simões - Puc VC 008

Exemplo começa em casa
O sistema de tratamento tipo zona de raízes é adotado na residência do prof. Fábio Simões, diretor da Escola de Engenharia da universidade, que optou pelo reuso pela causa sustentável. “O entendimento é que as ações individuais podem mudar o mundo”. De acordo com o engenheiro, o projeto é viável quando esse conceito for prioritário à arquitetura e não o contrário. Aos interessados que queiram investir em um projeto assim, o primeiro passo é procurar arquitetos e engenheiros que trabalham com esses conceitos.
Além da iniciativa na própria residência, o professor também explora a temática em sala de aula.

A situação em Goiás
De acordo com o superintendente de Comunicação e Marketing da Saneago, Luiz Novo, a situação em Goiás ainda é confortável em relação aos mananciais, não havendo um cenário mais crítico em nível regional. A barragem do João Leite e a barragem do Meia Ponte trazem uma situação mais tranquila: os dois sistemas de abastecimento de água atendem 4.500 litros por segundo

 

Iniciativas da PUC

A universidade, desde 2000, entrou num processo de ampliação, principalmente no Câmpus II, onde foi implantando o primeiro projeto de uso racional da água. “Existem três estações de tratamento lá”, informa a diretora de Serviços Gerais da instituição, profa. Cybelle Mousse. Lá existe um sistema de tratamento de esgoto denominado zona de raízes. “Todo o esgoto gerado hoje é tratado e reutilizado nas descargas dos vasos sanitários dos vestiários e no sistema de irrigação do campo de futebol”, complementou a engenheira.
No Câmpus II, a água passa por um tratamento biológico com filtros anaeróbicos. Após ser submetida a um tratamento primário, o esgoto é aspergido em um jardim e são utilizadas as raízes das plantas que ajudam no tratamento. Ao passar por esse tratamento, a água é captada. Vale salientar que não há contato humano com essa água e existe um acompanhamento químico desse processo.
Na Área 2, também se faz uso racional da água: um poço artesiano abastece os banheiros e todos os vasos sanitários. “Estamos tentando tirar a água da limpeza do piso. A ideia é acabar com isso”, explanou.

agua