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Se você acha que o alerta sobre o uso de agrotóxicos é coisa daquela tia chata ou da Bela Gil, é melhor se ligar

É bem provável que você já tenha pelo menos ouvido falar em alimentos orgânicos, não é mesmo? Na última década, o boom do assunto em programas da televisão aberta e fechada, em jornais e revistas, além da própria internet fez com que o interesse e o acesso a esse tipo de alimento, cultivado sem a utilização de agrotóxicos, fosse facilitado. Hoje, seja em feiras de bairro, seja em grandes redes de supermercado, você já consegue encontrar esses produtos, mas o investimento ainda é mais alto, se comparado aos considerados “comuns”.

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Os pesticidas, utilizados no cultivo de praticamente todos os alimentos que consumimos, podem fazer mal para a nossa saúde e para a saúde do solo que recebe tais produtos químicos. Constatações desta natureza começaram a ganhar força no início dos anos 2000. Na PUC Goiás, desde o início do ano, um estudo do tipo vem sendo desenvolvido. Intitulada Biomassa Microbiana do Solo de Cerrado Submetido a Sucessivas Aplicações de Herbicidas Pré-Emergentes, a pesquisa coordenada pelo professor Marco Pessoa, do curso de Zootecnia, trabalha, por meio dos micro-organismos do solo, o efeito de pesticidas na natureza.
“Os micro-organismos do solo são responsáveis pelos ciclos biogeoquímicos que a gente estudou lá no ensino médio, como o ciclo do carbono. Entender o funcionamento desses micro-organismos como máquinas biológicas faz com que a gente entenda, por exemplo, qual é o efeito disso na nossa alimentação”, enfatiza o professor. De forma mais prática, explica, é como se a utilização desses produtos diminuísse a diversidade de micro-organismos no solo e isso afetasse a nossa vida diretamente, por conta da alimentação. Outra questão é que o agrotóxico não sai lavando com água e sabão. “A gente acaba comendo muito resíduo de produto, né?”.

Resultados

Mesmo no início, o estudo atual e os anteriores já possibilitaram a criação de um reator biogeoquímico no Câmpus II, para a condução dos experimentos. “É uma construção dos próprios alunos que simula condições naturais, em nível de solo, dentro do laboratório, em microescala”, diz o professor. A sua utilização é importante para que não haja contaminação do solo com a pesquisa.

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Agrotóxicos no Brasil

Um levantamento publicado em abril pelo jornal El País, com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) brasileiros, deixou clara a nossa situação atual: junto com os alimentos que comemos, ingerimos o equivalente a cinco litros de agrotóxico por ano. Desde 2008, somos o país líder de consumo em todo o mundo. A situação preocupa.
Os dados fizeram com que o Ministério Público Federal enviasse um documento à Anvisa solicitando, com urgência, a reavaliação toxicológica do glifosato, mesma substância pesquisada pelo prof. Marco e sua equipe na PUC Goiás. Para fazer a solicitação, o órgão federal se baseou em pesquisas divulgadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que associam o uso dessa substância ao surgimento de câncer

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