Pesquisa da Escola de Engenharia aponta o potencial goiano para captação de energia solar e desenvolvimento de tecnologias locais

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Escassez de luz solar é uma queixa que não existe em Goiás. Ao contrário de países nórdicos, nós temos abundância de sol – é vitamina D para ninguém botar defeito. Uma estimativa baseada em dados do Atlas Solarimétrico Brasileiro revela que Goiânia, por exemplo, tem em média cinco horas de sol pleno durante todos os dias do ano. Com tanto sol e calor, por que não aproveitamos como fonte de energia da mesma maneira que os países frios e escuros no hemisfério norte fazem?
A resposta a essa questão está no alto preço para a construção de um sistema de captação de energia, aliado à falta de pesquisas e subsídios. É olhando para o futuro que a Escola de Engenharia da PUC Goiás vem, há mais de sete anos, investindo em pesquisa sobre o sistema de energia solar fotovoltaica. Desde 2007, cerca de 30 alunos passaram pelo laboratório, produzindo trabalhos de conclusão de curso e pesquisando sobre energia solar.
De acordo com o professor de Engenharia Elétrica e pesquisador do tema, Carlos Augusto Guimarães Medeiros, a tendência é que nos próximos anos o custo para instalação de painéis diminua e que mais pessoas busquem a energia solar para suprir parte da demanda energética em suas casas e locais de trabalho. Segundo o professor, ainda falta no Brasil conhecimento e motivação por parte da população e empresas para investir neste tipo de energia.
Medeiros acredita que, apesar dos entraves, a energia solar deverá fazer parte do cotidiano das pessoas nos próximos anos. “Residências, escolas e empresas podem utilizar esse tipo de energia e esse tipo de geração complementa a geração tradicional e evita perdas de transmissão e distribuição, uma vez que estão próximas do consumo”, explica ele.

Protótipo na PUC Goiás

Alunos e professores de Engenharia montaram, no terraço da Área 3, um protótipo a partir do gerador fotovoltaico que capta a radiação solar. Apesar de pequeno, os módulos demonstram o potencial da pesquisa e apontam para o futuro, à medida que um dos desejos dos pesquisadores é que, em breve, a universidade utilize placas de captação para produzir energia no câmpus.
É a partir do painel fixado no terraço que a energia solar é transformada em eletricidade. Após a conversão, cabos transmitem energia elétrica até o laboratório para alternação da mesma (220 Volts, 60Hz) e testes em uma casa construída em miniatura pelos professores e estudantes. “A energia gerada alimenta os laboratórios. Na sala simulamos uma residência popular, que representa o consumidor recebendo abastecimento parcial de energia por esse sistema”, explica o professor.

Impacto ambiental mínimo

Comparada às hidrelétricas, o impacto ambiental causado pelas placas de energia solar é praticamente nulo. A extração de matéria-prima para produção do sistema e a necessidade do descarte de equipamentos após sua vida útil são os maiores impactos causados pelo sistema fotovoltaico – mas podem ser minimizados reciclando os materiais. Além disso, uma placa para captação tem vida média de 25 anos, afirma o professor de Engenharia, Carlos Medeiros.
Outro aspecto positivo da energia solar é a possibilidade de aproveitar espaços urbanos como telhados, coberturas, fachadas. Qualquer área ensolarada, já construída ou não, tem potencial para produção de energia elétrica a partir do sistema fotovoltaico.