Nos laboratórios, salas de aula, congressos, ou na plataforma Lattes, a pesquisa é o lugar onde a ciência “acontece”. Saiba um pouco mais sobre a rotina e os desafios que enfrentam os pesquisadores

O pesquisador é a força motora e humana que conduz o fazer científico e toca a máquina adiante. Como toda trilha tem um começo, essa carreira ganha impulso na graduação, a partir da iniciação científica, seja pelos próprios programas de bolsas oferecidos pelas universidades, ou por organizações parceiras, tais como CNPq e OVG. Outro caminho é atuar como auxiliar de pesquisa, trabalhando diretamente com um professor pesquisador.

Para a coordenadora de Pesquisa da instituição, profa. Priscila Valverde, o futuro pesquisador é instigado à investigação científica, adquire experiência de como elaborar um projeto, além de todo um processo de geração do conhecimento. “A IC mostra os caminhos para a permanente atualização do estudante, além do acesso às bases de dados onde as pesquisas são encontradas e armazenadas”, afirma. Esses são apenas os passos iniciais, mas a formação de um pesquisador é contínua, já que perpassa pela pós-graduação a nível lato sensu (especializações) e stricto sensu (mestrado e doutorado).

“É importante que o estudante procure se integrar no projeto de pesquisa do docente. Neste caso, o aluno faz um plano de trabalho dentro do projeto de pesquisa do pesquisador e vai receber todas as atribuições que o professor vai dizer: coleta de dados, revisão de literatura, entre outros passos” Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da PUC Goiás, profa. Milca Severino

Professor pesquisador

Formado em Biomedicina, o professor-pesquisador Aparecido Divino da Cruz (conhecido na área como prof. Peixoto), desde a graduação já lecionava Biologia e Química e sempre se identificou com o ofício docente. Foi a partir deste encantamento que surgiu o seu interesse pela pesquisa. Neste período, no final da década de 1980, poucos professores faziam pesquisa na região Centro-Oeste, já que a formação era voltada mais para o mundo do trabalho – no caso do pesquisador – na área de patologia clínica. Terminada a graduação em 1988, começou a trabalhar em laboratório privado de análises clínicas, mas devido à rotina exaustiva, o interesse pela patologia clínica foi diminuindo ao longo do tempo. Em agosto de 1989, começou a lecionar na então UCG, mantendo vivo o ofício de professor, primeiramente como docente substituto, depois como professor concursado na instituição.

O contato mais próximo com a pesquisa ocorreu no contexto do acidente com o césio-137, em Goiânia. Após as medidas emergenciais de atenção à saúde do ambiente e dos radioexpostos, uma fundação – a Fundação Leide das Neves Ferreira (Funleide) – criada pelo Governo do Estado de Goiás para cuidar da saúde das pessoas expostas, havia iniciado uma investigação sobre a saúde genética da população atingida pela radiação, todavia o laboratório precisava de alguém para cuidar da equipe técnica e conduzir análises citogenéticas. Foi daí que surgiu a oportunidade e, então, passou a ser o biomédico geneticista, responsável pelo acompanhamento da saúde genética dos radio acidentados. O pesquisador recebeu bolsas de estudos da Prefeitura de Hiroshima e, em seguida, deu continuidade aos estudos stricto sensu (mestrado e doutorado) na University of Victoria, no Canadá. Peixoto coordena, atualmente, o Programa de Mestrado em Genética da PUC Goiás e o Núcleo de Pesquisas Replicon, vinculado à Escola de Ciências Agrárias e Biológicas da universidade, grupo cadastrado na plataforma de grupos de pesquisas do CNPq.

Ossos do ofício

O trabalho como pesquisador é um ofício gratificante aos docentes. Todavia, como qualquer área, os desafios existem e um deles é fazer pesquisa na região central do Brasil, devido aos recursos limitados e o difícil acesso a eles. “Precisamos nos manter focados na constante batalha para a obtenção de recursos para o desenvolvimento de pesquisas, que implica em estabelecer colaborações nacionais e internacionais, escrever propostas e submetê-las às agências de fomento nacionais e internacionais”, ressalta. Ainda, de acordo com o docente-pesquisador, é preciso encontrar tempo e disposição para escrever artigos científicos de boa qualidade, que são usados como o maior indicador aplicado para as decisões de fomento e de continuidade com as atividades da pós-graduação.

“O sistema nacional de avaliação dos pesquisadores e docentes da stricto sensu é focado na produção acadêmica do pesquisador e no impacto de seus produtos na área de atuação”, complementa. Diante das fontes de financiamento escassas, a persistência do pesquisador tem que ser a mãe da oportunidade. “Gastamos muita energia produzindo propostas que não são financiadas, seja porque os recursos são poucos ou são mal distribuídos no cenário nacional e local. Ainda que o mérito da investigação da proposta seja reconhecido, não há recursos para apoiar todos os pedidos”, pontua.

Sobre o mais gratificante da profissão, o docente é enfático: o papel de ajudar a formar pessoas. “O convívio com o estudante e o prazer indescritível de vê-los se apropriarem do conhecimento até me superarem é uma experiência única”, complementa. Uma de suas pesquisas de maior relevância são os estudos desenvolvidos sobre o impacto da radiação ionizante sobre o genoma das pessoas expostas durante o acidente radioativo goiano (césio 137). “Tem sido relevante não apenas pelo seu ineditismo, mas por ajudar a construir coletivamente o conhecimento acerca do efeito biológico da exposição humana à radiação. Ao conhecer as pessoas, seus sofrimentos e enfrentamentos, eu pude me empoderar do valor da empatia com os participantes das nossas pesquisas”, conclui.

Vida de mestranda

Um cotidiano de muitas horas de estudo e dedicação, assim tem sido a dinâmica de estudos da mestranda do Programa de Pós-Graduação em Atenção à Saúde da PUC Goiás, Camilla Monteiro, 26, graduada em Fisioterapia. Instigada a trilhar um caminho na pós-graduação, após atuar no interior do estado goiano, pelo Programa de Saúde da Família, ela resolveu aprofundar seu olhar acerca dessa situação e lançar as sementes para uma futura carreira docente. “São longas horas de estudo, poucas horas de sono e muito café. E, no meu caso, o maior desafio é conciliar o mestrado com a vida pessoal. Minha família me apoia muito, mas também cobra atenção e, muitas vezes, não consigo dedicar um tempo necessário a eles”.

A mestranda participa de um grande projeto de pesquisa multidisciplinar que envolve a PUC Goiás, UFG e Universidade de Faro (Portugal). Neste projeto, a equipe investiga as condições de saúde, qualidade de vida e cognição de idosos em Goiânia.

Dicas para o jovem pesquisador

  • Acessar, constantemente bibliotecas virtuais e sites científicos
  • Tentar participar de um projeto de pesquisa desde quando ingressa na instituição ( a partir do 3 período o estudante é mais competitivo para pleitear bolsas, mas isso nada impede o contato do estudante com a pesquisa nos primeiros semestres);
  • Participação em eventos, tais como seminários, workshops e demais atividades acadêmicas para “alimentar o currículo”
  • Aprendizagem de outras línguas (a começar pelo Inglês, a língua oficial da ciência)
  • Ler bibliografias de outras áreas para aprimorar a redação

Iniciação científica: modalidades

  • BIC/PUC Goiás (bolsa oferecida pela própria PUC Goiás, cujo valor é descontado na mensalidade do curso). Em torno de 210 reais.
  • OVG ( o estudante desenvolve a pesquisa como contrapartida à bolsa concedida pela Organização).
  • PIBIC/ CNPq (concedida pelo CNPq, com valor da bolsa depositado diretamente na conta do aluno). Em torno de 400 reais.
  • PIBITI/CNPq (bolsa de inovação científica e tecnológica). No caso da modalidade “voluntário”, o aluno passa pelo mesmo processo de seleção, só que não recebe a bolsa.