Pesquisa do Mestrado em Ciências Ambientais e Saúde busca desvendar o genótipo do vírus Chikungunya

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Para identificar os subtipos e os sintomas relacionados ao vírus Chikungunya, a mestranda e biomédica Rosemary Koga lançou-se em um novo desafio em sua carreira: a pesquisa Identificação e genotipagem do vírus Chikungunya nos estados do Amapá e Goiás. Aluna do Mestrado em Ciências Ambientais e Saúde da PUC Goiás, ela busca mostrar qual o impacto dos subtipos do vírus nos dois estados. Os resultados devem ser divulgados até o final do ano e serão usados para pesquisa posterior de doutorado.

No Amapá, estado natal da pesquisadora, o vírus chegou primeiro, no ano de 2014, pela fronteira com a Guiana Francesa, onde a doença já tinha sido registrada. Já em Goiás, o primeiro caso registrado foi em janeiro de 2015. Rosemary explica que o Chikungunya segue a linhagem do Oceano Índico e veio para o Brasil das ilhas do Caribe.

Para a pesquisa, serão coletados sangue e urina de pacientes em fase sintomática, sendo 100 no Amapá e 100 em Goiás. Todo o material coletado passa por PCR (Reação em Cadeia de Polimerase) em tempo real, no Laboratório de Imunologia, na PUC Goiás. O exame permite a síntese do DNA do vírus. A equipe é liderada pela professora doutora Araci Hoffman, orientadora da pesquisa, e conta com o apoio de alunos da graduação e do mestrado.

O interesse de Rosemary no tema surgiu com o primeiro surto da doença no Oiapoque (AP). “Há uma mutação no mosquito e queremos verificar se ele está transmitindo vírus com muitas sequelas”, afirma Rosemary. Já estão identificados três genótipos e, a partir da coleta e análise de dados de casos suspeitos da doença, serão correlacionados com o quadro clínico dos voluntários. As coletas são feitas na PUC, em Goiás, e em campo, no Oiapoque, pela própria mestranda, que realizou várias viagens para o local.
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Colaboradora da pesquisa, a mestranda Jéssica Barletto de Sousa afirma que o trabalho em equipe tem sido muito produtivo e que o maior retorno é dos voluntários, que podem ser ouvidos e identificarem melhor o quadro que estão vivendo. Entre as amostras coletadas, estão de grávidas com suspeita de Zika. O material poderá ser usado para outros trabalhos.

Um dos diferenciais da pesquisa é que o material colhido permite identificar a genotipagem de três diferentes vírus: dengue, Zika e chikungunya. Segundo a professora Araci, um dos resultados do trabalho será identificar a circulação destes no estado. “Estamos falando que é Zika, mas pode não ser”.

O trabalho entra em fase de análise das amostras no mês de março. “Diferentes genótipos podem causar maior ou menor gravidade. Não sabemos ainda se temos todos os genótipos em Goiás, por exemplo”, explica Araci. A análise dos resultados do PCR vai apontar um caminho. Para a doutora em Imunologia, “o grande problema que vejo é que o país foi pego de surpresa. Está todo mundo correndo para apagar fogo. O país foi pego de contrapé”.

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Ampliação

Com o aumento de casos de Zika e dengue em curso no Brasil, a pesquisa ganha novos contornos e a coleta de dados irá também registrar os casos das duas outras doenças.
O tema atual chamou a atenção de três outras instituições de ensino, que devem ampliar a área e a abrangência da pesquisa de Rosemary. A Universidade de São Paulo já convidou a mestranda para dar continuidade nos estudos, após o término do mestrado, em um doutorado. E as universidades de Oxford e Federal de Goiás indicaram interesse nos dados recolhidos