Foto: Weslley Cruz

Mulheres como protagonistas da ciência

Desigualdades combatidas com oportunidades para todas. Mulheres abrem as portas da pesquisa

A história das mulheres na ciência é recente e data de no máximo um século. Antes disso, longe dos espaços acadêmicos, elas não tinham acesso à pesquisa e à educação. A primeira importante representação feminina na ciência é da polonesa Marie Curie, a primeira mulher a receber o Prêmio Nobel nas áreas de Física (1903) e Química (1911). Ela foi a primeira cientista a receber a dupla premiação e que desvendou uma importante área de conhecimento, a radioquímica.

Marie Curie é um exemplo para milhares de mulheres que vieram depois e fazem da ciência um novo espaço. Nos desafios das cientistas do século 21 está a consolidação do trabalho feito por mulheres em diversas áreas de conhecimento. Na PUC Goiás, hoje são 261 professoras envolvidas com projetos de pesquisa, seja como pesquisadoras ou orientadoras de trabalhos, em um universo de 782 pesquisadores.

“É preciso pensar a desigualdade de uma forma mais ampla: social, racial, de gênero e todas essas questões serão discutidas por meio das pesquisas”, pontuou a coordenadora de Pesquisa da PUC Goiás, profa. Priscila Valverde Vitorino. Uma das pesquisadoras de destaque na universidade é a professora doutora Mariana Pires de Campos Telles, coordenadora do curso de Biologia.

No ano passado, uma grande cientista brasileira foi homenageada pela PUC, a pesquisadora Celina Maria Turchi Martelli , com o título de doutora Honoris Causa. Ela é responsável por pesquisa do Instituto Oswald Cruz que associou cientificamente a infecção pelo vírus da zika em grávidas a casos de bebês com microcefalia.

Na partilha da sua experiência, Celina Turchi falou como foi possível chegar aos resultados na pesquisa que levou seu nome a um reconhecimento internacional: diversidade. A equipe comandada pela cientista em Pernambuco, no Grupo de Pesquisa da Epidemia de Microcefalia (Merg, na sigla em inglês), tinha pessoas de gênero e etnia diferentes, o que comprovadamente traz melhores resultados. “Hoje nós somos muitas pesquisadoras. Ainda temos alguns entraves, preconceitos, mas somos muitas, principalmente, na área de saúde. Temos avançado muito na incorporação dessa diversidade”.

Outra premiada pela PUC, a professora Mariana Telles, que recebeu o Mérito Científico, afirma que a sensação é de que todo esforço, dedicação, persistência, dificuldades e superação valeram a pena. “Ser docente e pesquisadora sempre foi um desafio, especialmente no Brasil e sendo uma mulher. No entanto, foi uma escolha consciente apesar de muito desafiadora, especialmente para uma mulher que também queria ser mãe. Não posso dizer que foi fácil, mas com certeza valeu muito a pena”, falou ela, que tem duas filhas adolescentes.

Um dos motivos de criar homenagens e títulos é incentivar os alunos a se envolverem diretamente com a geração de conhecimento. No caso das mulheres, também é o de vencer os obstáculos impostos dentro e fora do meio acadêmico. “São exemplos exitosos que podem inspirar os nossos estudantes”, afirma a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da PUC Goiás, professora Milca Severino.

Pesquisadora e mulher, a professora Maria Ivete de Moura é coordenadora do curso de Medicina Veterinária da PUC Goiás. “Muitas pesquisas finalizadas ou em andamento, importantes para o desenvolvimento do país, independente da área, são realizadas por mulheres, pois conseguem ter mais equilíbrio emocional apresentando maior rendimento profissional, contudo, financeiramente não são valorizadas em função da maior produtividade”, explica ela.

Ivete resolveu se dedicar à pesquisa por conta de dúvidas e das novas descobertas que surgiam a cada nova leitura. “Durante minha graduação participei de pesquisas como bolsista de iniciação científica e isso conduziu ao mestrado, doutorado, sempre trabalhando, em paralelo, como profissional autônoma na área de Medicina Veterinária”, explica ela, que até hoje continua envolvida em grupos de pesquisas, principalmente voltadas para a produção animal.

São em mulheres como Celina, Ivete, Mariana, Milca e Priscila, que Mikaella Araújo Margarida, estudante de Enfermagem, se inspira. Ela participou do projeto de Pesquisa A segurança do paciente: um enfoque no cuidar, com orientação da professora Milca Severino, e sente-se preparada para encarar mestrado e doutorado.

O interesse pela pesquisa começou no 5º período, depois de palestra sobre o programa de Iniciação Científica. “Já tinha interesse nas metodologias ativas, mas a palestra despertou em mim uma vontade de aprofundar na área da pesquisa”. Ela foi bolsista do PIBIC e se apaixonou pela pesquisa. “Como acadêmica, foi surpreendente, me fez ver novos horizontes e ser mais crítica”. Ela acredita ainda que a pesquisa empodera as mulheres e auxilia em todos os espaços.

Iniciação Científica evolui e ganha destaque em premiação

Fazer ciência e formar pesquisadores está na missão da PUC Goiás. O investimento em pesquisa está na grade curricular de todos os cursos de graduação com disciplinas voltadas para a área e práticas laboratoriais que favorecem a formulação de diversas pesquisas. Além disso, a universidade mantém o programa de Iniciação Científica, que a cada semestre abre vagas para alunos voluntários ou com bolsas para o engajamento em pesquisas realizadas pelos docentes.

No segundo semestre de 2018, 581 projetos estavam em desenvolvimento com o objetivo de estimular a construção de pesquisas e o desenvolvimento de novos conhecimentos foram inscritos na quarta edição do Congresso de Ciência e Tecnologia da PUC Goiás e tiveram destaque nas premiações oferecidas.

Entre os trabalhos de IC, o ganhador foi o da estudante de Direito, Nayara Cavalcante de Freitas, que pesquisa há dois anos o tema Da modernidade de Baudelaire à modernidade brasileira, orientada pelo professor de Letras, Vitor Perillo Vitoy. “O poeta que pesquisei é o precursor da modernidade, então tudo que ele construiu trouxe o que a gente conhece e estuda hoje. O Direito não está separado disso. Nós temos diversas influências, principalmente na linguagem e na comunicação”, contou ela sobre o trabalho. O resultado mostrou a importância da pesquisa e da interdisciplinaridade alcançada a partir da Iniciação Científica.

Menção honrosa pelo trabalho apresentado no Congresso, a aluna Sarah Bueno de Castro estudou o Comportamento da argamassa com adição de cinza do bagaço da cana de açúcar, com a orientação da professora Martha Nascimento Castro. Aluna do curso de Engenharia Ambiental, ela ganhou ainda o Desafio de Saneamento do curso de Engenharia Ambiental. Os dois resultados apontam na direção que Sarah busca para o final do curso: trabalhar com saneamento e resíduos sólidos.

Foram dezenas de certificados e medalhas no final do Congresso. “Essa premiação é um incentivo para os alunos que participaram dos diversos desafios que foram propostos, de química, mecatrônica, física, e também àqueles estudantes que enviaram seus trabalhos científicos”, explicou a professora e coordenadora de Pesquisa, Priscila Valverde Vitorino. Ela falou da evolução dos trabalhos apresentados durante todo o congresso. “Na última edição, nós não tivemos premiados, porque os trabalhos estavam foram das normas. Desta vez, de todos os inscritos, 28 atenderam os requisitos”.

Os trabalhos farão parte de uma coletânea, que será publicada pela Editora PUC. O objetivo é divulgar e fortalecer as pesquisas realizadas por acadêmicos dentro da instituição. Durante o Congresso, também foram premiados os trabalhos de Strico Sensu, Lato Sensu e Ligas Acadêmicas. Outro aporte à pesquisa e ao conhecimento foi a realização de desafios e a premiação dos alunos que se consagraram com nos resultados.

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