A informação noticiada em grandes veículos de mídia no início do mês passado sobre a ausência de novos editais do Ciência sem Fronteiras (CsF) em 2016 certamente preocupou os jovens que desejam ter a experiência de mobilidade internacional. Engana-se, porém, quem acha que é o fim. Para provar, listamos oportunidades de bolsas oferecidas para cursos de graduação e pós-graduação fora do Brasil e conversamos com algumas pessoas que chegaram lá.

A boa notícia é que a experiência de vivência e pesquisa em uma universidade internacional é uma realidade cada vez mais atual para os brasileiros e, claro, muito enriquecedora. Porém, exige muito planejamento e determinação. Se você acha que essa é a sua, seja agora ou logo mais, no doutorado, venha com a gente.

A primeira coisa a saber é que você vive na Era da Informação. Tudo está há alguns cliques de distância. Imagine ter de enviar uma carta para o consulado do país onde você quer estudar para que eles te respondam com o endereço das universidades que possuem convênios com o nosso país para então você encaminhar uma carta pedindo informações. Imaginou? Pois foi exatamente esse o caminho que o agora assessor de Relações Internacionais da PUC Goiás, prof. Paulo Gonzaga, 52, trilhou, em 1985. Formado em Administração pela então Universidade Católica de Goiás (UCG), ele não só conseguiu as informações que precisava como conquistou uma bolsa, pela então Fundação Atlantic, para o curso especialização em Pequena e Média Empresa na University Of Wyoming, nos EUA. “Hoje, com a internet, é totalmente diferente de quando eu fui. Eu me preparei por quatro anos para ir. Conseguia informação via carta. Hoje, em uma tarde você consegue”, lembra.

Ter um objetivo é essencial
A experiência positiva, que acabou resultando em anos vividos no país e em outra especialização, também com bolsa, no México, fez com que o professor tivesse boas dicas para os alunos que o procuram hoje. “É importante ter força de vontade, determinação. Você precisa parar e pensar, ‘por que eu quero fazer?’ e traçar objetivos, porque a responsabilidade é enorme e os desafios também”, conta. Ele, por exemplo, percebeu que para a profissão desejada – a de professor – a experiência seria rica.

Nesse ponto, o jornalista Péricles Carvalho, 26, que hoje também pode ser lido nas páginas do PUC VC, concorda. Ele procurou, desde o início da graduação, ter um bom desempenho acadêmico e participar de diversos editais. Deu certo. Foi para o Canadá, ainda durante a graduação, com bolsa pelo Programa de Líderes Emergentes das Américas (ELAP), onde ficou oito meses. Já formado, também conquistou bolsa pelo programa Erasmus Mundus para um mestrado conjunto em universidades da Dinamarca e do País de Gales. “Eu continuei, no mestrado, a pesquisa que eu iniciei na graduação. Muitas vezes você nem precisa de um projeto propriamente dito, mas precisa apontar onde quer chegar”, dá a dica.

De olho no “sanduíche”
Já o doutorando do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da PUC Goiás Vinicius Novais, 29, sempre teve a ideia de um Doutorado Sanduíche – quando parte é feita em uma instituição brasileira e a outra parte em uma instituição de fora. Ele viu em um edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) a oportunidade. Hoje, está na renomada Universidade do Porto, em Portugal, onde fica por um ano. “Além do desejo, surgiu mesmo a necessidade de sair do Brasil e buscar novas abordagens teóricas e metodológicas para trazer à discussão”, afirma. Vinicius foi o primeiro aluno do programa a ir para uma universidade internacional e frisa que isso só foi possível pela preexistência de um acordo bilateral entre a Universidade do Porto e a PUC Goiás.

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