Programas de intercâmbio proporcionam, além da experiência e do conhecimento acadêmico, o crescimento pessoal de quem se aventura a morar longe da sua pátria

 

Viajar para outro país, conhecer uma nova língua e uma nova cultura, adaptar-se a uma cidade diferente são alguns dos desafios de quem decide fazer intercâmbio. Em uma outra frequência na vida, os intercambistas somam ao saldo da viagem com fins acadêmicos o amadurecimento pessoal.
Giovanna Lordeiro, 20, tinha 18 anos quando saiu pela primeira vez do Brasil e não foi à passeio. Inscrita em um programa regular de intercâmbio da PUC Goiás, ela passou cinco meses de 2014 em Portugal, onde deu continuidade aos estudos de Relações Internacionais e ainda trabalhou por um mês em um hotel na França. Na bagagem, levou a experiência de morar longe de casa há dois anos. Giovanna veio do Pará para Goiânia aos 16 anos, com o objetivo de estudar e entrar na faculdade.
Em Coimbra, teve que dividir apartamento com uma portuguesa, um brasileiro e uma belga, que virou sua melhor amiga. “Foi uma experiência ótima, eu tinha que me virar em relação a tudo, comida, roupas, remédios, horários. Em nossa casa, nós nos tornamos bem amigos, então sempre fazíamos comida uns para os outros e nos ajudávamos no que era possível”. O que ficou da experiência? Ela afirma que perdeu o medo do desconhecido, aprendeu a encarar de frente os problemas e guarda ainda o desejo de viver outra temporada fora do Brasil.
Na mesma cidade que Giovanna, Luana Matos de Araújo, 22, viveu sua primeira temporada longe dos país. Pelo programa Ibero-americano do Santander, a acadêmica de Administração passou seis meses estudando na Universidade de Coimbra, onde dividiu apartamento com outros alunos da PUC Goiás. Além do conteúdo em sala de aula, ela teve que aprender a cozinhar, a cuidar das próprias roupas e a lidar com a saudade. “Senti muita falta dos meus pais e das minhas irmãs”, explica ela, que buscou manter o contato diário.

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“É preciso aprender o tempo todo a se adaptar quando você está longe de casa. Fui criança e voltei adulta”

O desafio maior para Luana foi aprender a lidar com as diferenças. “Cada um tem uma criação e uma forma diferente de ver o mundo. É preciso aprender o tempo todo a se adaptar quando você está longe de casa. Fui criança e voltei adulta”, explica a estudante, que aproveitou para conhecer outros países e planeja um retorno quando terminar a faculdade.

Experiência

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A escritora e blogueira Amanda Naville Noventa, 32, tornou-se, nas redes, uma defensora da vida no exterior, após ter passado quatro anos nos Estados Unidos, de 2007 a 2011, onde começou um programa de trainne e depois continuou como funcionária efetiva. A mudança virou o principal tema do seu blog Be happy now e também da coluna semanal que mantém no jornal Estadão.
A primeira vivência fora do país é justamente a que Amanda considera a que mais a amadureceu. “Quando você passa alguns perrengues para sobreviver acaba aprendendo muito mais. Ali não tinha dinheiro de papai e mamãe nem nada. Era eu sozinha pela primeira vez na vida trabalhando, ganhando meu dinheiro e enfrentando as dificuldades de morar em outro país”.
A blogueira cita que a permanência em outro país amplia o aprendizado cultural. “Se você tiver uma mente aberta, essa experiência vai te levar ainda mais longe, para outros lugares, outros países, outras culturas. Uma vez que você aprende que o mundo não é apenas aquilo que você vive no Brasil, ninguém te segura mais”, conta Amanda, que em breve lançará um livro sobre o período que morou no exterior. Até lá ela continua dizendo a todos os seus leitores a sua maior lição fora do país: qualquer um pode mudar sua própria vida quando quiser. “Basta correr atrás”