Aventuras gastronômicas bem longe do Brasil: intercambistas revelam suas experiências com a culinária de outros países

Um dos maiores desafios para quem participa de um intercâmbio é a adaptação a uma cultura diferente. Quando o assunto é comida, aqueles que têm um paladar eclético costumam lidar de um jeito mais flexível e adequam-se ao cardápio estrangeiro. Já os mais tradicionais fogem dos pratos típicos do país e buscam alternativas gastronômicas mais similares à cultura de origem. Imagine andar por uma feira e ver nas barraquinhas sopas de vegetais, macarrão de arroz, feijão doce e com gelo, cobras, enguias e arroz com sangue de porco. Essas são algumas iguarias da culinária taiwanesa que o professor Leandro Borges, do curso de Relações Internacionais da PUC Goiás, encontra pelas feiras noturnas de Taipei, cidade onde realiza intercâmbio e desenvolve pesquisa científica sobre comércio exterior. “Como a ilha não é produtora de alimentos e precisa importar quase tudo, mais comum são bandejas de comidas industrializadas vendidas em lojas de conveniência”, conta. A maioria das casas em Tapiei não tem cozinha e, em função disso, as famílias costumam comer na rua. Logo, o principal destino são as feiras noturnas. “Praticamente eles comem tudo que se locomove. Porém nada de estereótipos como insetos ou cachorro”, observa o professor. Luiz2 Luiz Fernando Rodrigues, do curso de Jornalismo, que realiza intercâmbio no Chile, não teve (grandes) dificuldades com a comida. “O mais diferente que comi foi pão com abacate. Inclusive pensei que fosse muito ruim, mas surpreendentemente é muito bom”, ressalta. O principal problema enfrentado em relação à culinária foi com os mariscos. “Depois de passar mal duas vezes, a família que me acolhe teve que fazer uma pequena readequação nos pratos”, relata o goiano.

Já o professor Leandro, muito longe da América Latina, também passou por uma situação inusitada: ele foi convidado pelos diretores da universidade local para jantar em um restaurante sofisticado e provou todos os pratos por educação. Ele degustou feijão preto doce com gelo e uma quitanda que parecia rosca com cobertura de chocolate em pó, mas, na verdade, era carne seca de porco ralada. “Sal é algo incompreensível aqui. Eles se preocupam muito com a aparência, mas é difícil saber o que se está comendo”, conta

Turma do pão de queijo

Raquel Raquel Braga é estudante de Arquitetura da PUC Goiás e atualmente vive na Inglaterra, onde realiza intercâmbio pelo Programa Ciência sem Fronteiras. Ela já experimentou pratos típicos da Suiça, Escócia e Irlanda e, por considerar a comida inglesa “bastante gordurosa”, ela costuma preparar sua própria comida na casa onde mora com outros estudantes brasileiros. “Geralmente os pratos são fritos, tanto é que o prato principal deles é o fish and chips, que nada mais é do que um peixe frito, acompanhado com batata frita e, às vezes, purê de ervilha”, conta. Os ingleses costumam utilizar como tempero o curry (que é um pozinho laranja): “é um choque cultural bem forte. Sempre que conseguimos comprar polvilho em alguma loja que vende produtos brasileiros, nós fazemos pão de queijo. Estamos sempre fazendo coxinha e bolo de cenoura”, diz.