Em orfanatos, favelas e regiões inóspitas mundo afora, jovens socializam experiências de voluntariado internacional

Passar as férias na praia, fazer selfie em pontos turísticos e recorrer a pacotes de viagem convencionais podem até marcar a viagem de um turista, mas não é o objetivo principal do viajante que tem o impulso interno de ajudar o próximo e trabalhar em equipe. Abertura a uma cultura diferente, espírito aventureiro e perfil generoso são alguns pré-requisitos para o intercambista que tem interesse em participar de um programa de voluntariado internacional.
Em Goiânia, um dos projetos mais procurados é o Programa Cidadão Global, oferecido pela Aiesec, organização sem fins lucrativos que desenvolve liderança empreendedora por meio de intercâmbios. Com duração de seis a 12 semanas, oferece oportunidades com um leque de atuação diverso: o intercambista pode ministrar oficinas em comunidades, escolas, asilos, campos de refugiados, arrecadar fundos para ONGs e desenvolver trabalhos sobre sustentabilidade, saúde, empoderamento da mulher, entre outros. A atividade a ser desenvolvida depende do perfil e do currículo do intercambista que recebe orientação e suporte técnico da organização desde a seleção ao retorno para casa.
Com inscrições abertas durante todo o ano, o jovem pode participar de ações voluntárias na América Latina, Leste Europeu, Ásia e África. “A vantagem é que a fluência na língua estrangeira não é um empecilho. Com inglês intermediário, o jovem consegue realizar intercâmbio pelo leste Europeu, Ásia e África, com facilidade”, pontuaram a diretora de Marketing, Mariana Zanatta e o diretor de Intercâmbios Sociais da Aiesec Goiânia, Edilberto Ramos. Para quem não tem familiaridade com a língua inglesa, mas “arranha” o espanhol, a América Latina é o destino mais recomendado, além de ser financeiramente mais acessível.

Morar em um orfanato mulçumano

Victor Verdú, 24, intercambista pela Aiesec, nunca tinha viajado para fora do país e sua estreia no voluntariado internacional foi bem longe do Brasil, do outro lado do planeta: após  ministrar aulas de Inglês, Matemática e Direitos Humanos em uma pequena escola no subúrbio de Nova Déli, na Índia, ele seguiu para a Malásia, na cidade de Johor Bahru, próximo a Cingapura. O cenário do voluntariado foi um orfanato mulçumano que abriga crianças e adolescentes de baixa renda, com idade de cinco a 16 anos. Ele acompanhava as crianças em suas atividades religiosas na Mesquita e nas aulas de reforço. A acomodação foi no próprio orfanato e de todos os intercambistas, ele era o único ocidental. “Em termos de cultura, tive de me adaptar à rotina do dia a dia, como tirar o sapato para entrar em casa e comer com as mãos”, relatou. Aos finais de semana, ele tinha folga do trabalho e pôde viver um autêntico mix cultural, convivendo com mulçumanos, chineses e indianos.

 

Da China para as favelas de Nova Déli

Outra opção é “estender” o intercâmbio e adiar por um tempinho o retorno para casa. Após concluir seu programa de mobilidade estudantil na China, por meio do Ciência sem Fronteiras, a estudante de Arquitetura da PUC Goiás, Camilla Bueno, contatou uma ONG indiana denominada Cure, que desenvolve trabalhos no entorno de Nova Déli, na Índia. Com auxílio de uma arquiteta local, ela visitou as favelas indianas e pôde constatar diversas problemáticas sociais de violência contra a mulher e, no âmbito da infraestrutura, era notável a precariedade em relação às questões sanitárias. “As favelas indianas são muito pobres, bem mais precárias que no Brasil. A opressão contra a mulher também é total, mas a mulher é muito forte”, avaliou.