Cada postagem nas redes sociais é como uma peça de um grande quebra-cabeça, que forma a identidade virtual do indivíduo. Avaliar o objetivo e as possíveis implicações da divulgação de uma opinião ou de uma imagem, por exemplo, é fundamental, defende  a professora do curso de Jornalismo da PUC Goiás, Lara Guerreiro. “Mais do que bom senso, o limite é o desejo. Como essa pessoa deseja ser vista pelos outros?”, explica, em entrevista ao PUC VC.

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Quando a gente fala de rede social e de internet o limite para nossa presença é o bom senso?

O limite é o bom senso e até que ponto ela quer se expor. Tem gente que gosta de se expor. Dependendo do que a pessoa faz para viver, a exposição faz parte. Não é nem só o bom senso. É o desejo de se expor. A pessoa tem que pensar – como em tudo que a gente faz em comunicação – qual o objetivo dela com aquela publicação. A internet vai estar sempre ali. O que uma pessoa posta pode sempre ser acessado. Às vezes, mesmo quando a gente apaga, tem como recuperar aquele post.

Com o tempo, com a virtualização da sociedade, tudo que você posta vai se incluindo em um perfil geral que você tem. Todos os seus posts no Facebook, no Instagram, no Pinterest, seus tuítes, vão formando uma identidade. Assim como aqui, no plano físico, a gente tem o RG, as nossas postagens formam nossa identidade virtual. E isso pode influenciar em vários aspectos da vida pessoa.

Por exemplo, ela pode procurar um emprego e o empregador pode olhar o que ela postou e o que já saiu sobre ela. Pode ter um relacionamento e a outra pessoa encontrar fotos na internet que podem prejudicar ou inviabilizar um bom relacionamento. Então, é preciso ter a noção que tudo que se publica vai contribuir para formação que as pessoas têm da imagem dela. Tudo que a pessoa posta faz parte da sua identidade.

Como um quebra-cabeça que vai sendo montado diariamente…

Isso mesmo. Por isso que eu falo: mais do que bom senso, o limite é o desejo. Quem ela é? Como a pessoa deseja ser vista pelos outros? Quando a gente fala que o limite é o bom senso, partimos do pressuposto que todo mundo tem e a verdade é que nem todo mundo é assim. O bom senso é dirigido pelos costumes da sociedade, que se modificam de tempos em tempos. A própria cultura vai se atualizando. O bom senso pra mim, que sou professora, é uma coisa. Às vezes para um aluno pode ser diferente.

 

Até porque não temos o controle…

Não temos o controle da informação digitalizada a partir do momento da publicação. Ela pode ser repetida várias e várias vezes.

 

Muita gente usa as redes para se posicionar sobre assuntos políticos ou de comportamento. Às vezes, isso também tem implicações, não é?

Exatamente. A internet veio para potencializar a democracia. É um veículo importantíssimo para estabelecer o diálogo na sociedade. Nos séculos 19, 20, 21, a gente viu as discussões serem monopolizadas pelos veículos de comunicação. Eles tomaram da mão do cidadão comum toda a discussão política. Com a internet, temos uma ferramenta onde todo mundo pode se posicionar. E às vezes esse posicionamento pode trazer repercussões pouco desejáveis.

A pessoa desejou manifestar, se colocar para o mundo, mas vai perceber que às vezes, a internet, apesar de ser um veículo muito fácil de ser usado, pode ter consequências que ela não vai conseguir lidar.

A dica é: qual é o seu objetivo [com a postagem]? Você está preparado para receber a resposta? Para lidar com opiniões contrárias? O melhor que as pessoas fazem é não postar nada em momentos de raiva, de estresse muito grande. Isso prejudica. Você pode magoar uma pessoa querida, pode se posicionar de uma forma que vai te prejudicar profissionalmente. As pessoas precisam começar a usar a internet de uma forma responsável para a vida dela e para a vida da sociedade também.

Mas as mídias sociais também são usadas para coisas maravilhosas. Divulgação de estilos de vida legais. Casos bacanas de [perfil do] Instagram que estão tentando emagrecer e vão postando no dia a dia, sabe? As mídias sociais são muito interessantes para mostrar histórias de sucesso, que a gente vê pouco na imprensa. As pessoas precisam buscar isso. Não é que todo mundo tem que ser feliz na internet. Mas procurar contribuir com uma discussão saudável