A aposentadoria abriu espaço para a realização do sonho de cursar Arquitetura e Urbanismo

Ajudante de pedreiro, cabista telefônico, almoxarife, cobrador de ônibus, cineasta, técnico de edificações e, em 2015, arquiteto. Valdemar tem uma dessas histórias que dá gosto de contar, já fez de tudo um pouco e seu mais recente projeto foi cursar Arquitetura e Urbanismo na PUC Goiás.
Natural de Ibojuca, Pernambuco, ele veio para Goiás no início da década de 1950 e, desde então, não parou mais. Deslumbrou-se com a construção de Brasília, trabalhou como desenhista e chegou a integrar a equipe de Oscar Niemeyer.

“Eu sempre digo que 300 anos para mim é pouco, eu quero viver muito ainda.”

A efervescência da juventude se materializou em diversas ilustrações e trabalhos que lhe garantiram uma profissão e culminará, em 2015, no tão sonhado diploma universitário. Sobre seu ingresso na PUC Goiás, ele diz que quando jovem era muito humilde e, apesar de sempre trabalhar, não vislumbrava estudar.
Em 2003, quatro anos após se aposentar, Valdemar concluía o curso técnico em Edificações e já se via estudando Arquitetura. Não queria parar, e não parou. “Fui muito bem na prova específica de desenho e também na redação, porque sempre gostei muito de escrever”, diz orgulhoso ao lembrar que foi aprovado no vestibular da PUC Goiás em 13º lugar, em 2008.

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Se alguém duvida que a experiência universitária possa mudar a vida de alguém, Valdemar, no auge dos 74 anos, afirma que o curso impactou profundamente seu modo de enxergar o mundo. “Sempre fui muito tímido e hoje sou uma pessoa mais aberta. A experiência com os jovens também foi importante porque nessa altura da vida aprendi muito com a inocência e a despreocupação que os jovens têm”, diz ele.
Seu trabalho de conclusão de curso – um complexo arquitetônico “em formato elíptico” – nasceu de uma atividade acadêmica feita com bucha vegetal e foi projetado manualmente, sem uso de softwares e aparatos tecnológicos.
Perguntado sobre seus planos após a finalização do curso, Valdemar é categórico ao afirmar que não quer parar por aí e pretende colocar a mão na massa. “Eu sempre digo que 300 anos para mim é pouco, Eu quero viver muito ainda. Acredito que o homem seja infinito em sua imaginação”

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