Juvercina Eufrásia da Silva superou todas as adversidades para, aos 61 anos, realizar seu sonho: ingressar na PUC Goiás

Juvercina acreditava que não chegaria à universidade. Sua história pode ser confundida com roteiros de cinema: é a trajetória da jovem empregada doméstica que via os filhos de seus patrões ingressando na universidade e que queria estudar, porém não encontravam uma maneira de tornar o sonho realidade.

Ela relembra que, durante a infância ia à pé até a Matriz de Campinas e recebia educação religiosa das freiras do Colégio Santa Clara. Desejou ser freira por um tempo e anos mais tarde ao ouvir dos patrões o nome ‘Universidade Católica’, sentiu que aquele lugar, que ela não sabia bem o que era, deveria ser também o seu lugar. “Nos anos 60 eu era doméstica e via os filhos dos patrões colocando seus filhos na Católica. Naquele tempo eu ficava tentando imaginar o que era aquela ‘Católica’.

“Eu disse para os meus colegas mais jovens para não deixarem de estudar porque eles têm uma longa estrada pela frente”

Durante os anos em que trabalhou arduamente como doméstica, Juvercina entendeu que apenas a educação poderia tirá-la da condição em que vivia. Ela teve dois casamentos duas filhas para educar, dificuldades financeiras e várias mudanças de endereço e de cidade. “Eu tinha que trabalhar, não tinha outra opção. O tempo passou, casei, tive filhos e voltei a estudar já no final dos anos 70. Parei novamente por falta de dinheiro e fiquei 25 anos fora da escola”, diz ela.
Ela poderia ter desistido, mas em 2005 voltou à escola por meio do Programa de Educação de Jovens Adultos (EJA), e em 2015 prestou o ENEM, por saber que uma bolsa de estudos seria sua única opção de concluir o ensino superior.

Juvercina tem hoje 61 anos de idade e acaba de ingressar no curso de Biologia da PUC Goiás por meio do Prouni. Foram necessárias pelo menos quatro décadas para que ela conseguisse concluir o ensino básico e médio e se desvencilhasse de todo e qualquer problema que a impedia de estudar. Ela explica que Biologia era a matéria em que mais se destacava na escola, além disso acredita que o curso lhe trará uma nova maneira de enxergar a vida. “Quero aprender sobre a vida, quero entender melhor minhas plantas e meus animais”, explica a caloura da PUC Goiás.
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Ela ainda precisa vencer muitos obstáculos. Vai buscar uma maneira de complementar a renda para pagar as mensalidades e vai se dedicar ao máximo para acompanhar os novos conteúdos e atividades acadêmicas. Tudo novo para ela, um recomeço aos 61 anos de idade que não a assusta – afinal de contas, é uma jornada de 40 anos. A jornada de muitos brasileiros, a jornada de uma Silva que afirma que só sairá da PUC Goiás quando tiver seu diploma em mãos.