Para enfrentar os desafios e construir uma Goiânia melhor, é preciso que cada um assuma seu papel de construtor, ocupando os espaços, vivendo a cidade e trabalhando para a democratização da arte, cultura e lazer

Ocupar Goiânia com arte, cultura e lazer. Ocupar para resistir e enfrentar as dificuldades da vida moderna. Ocupar para vivenciar a cidade de modo diferente, permitindo conhecer um pouco mais de sua história e de sua gente. Enxergar as ruas não como meras vias de transporte, mas sim como espaço de convivência mútua, de pessoas que chegam a todo momento no ritmo frenético das migrações.
É com essa perspectiva que jovens têm tomado as ruas como espaço de arte e cultura. Em sua maioria, são universitários envolvidos em projetos de resgate do Centro e de fomento às ciclovias, por exemplo. São jovens nascidos aqui e insatisfeitos com a maneira que vivenciamos Goiânia. Por isso mesmo criam suas próprias alternativas.
De acordo com professor de Projeto Urbano do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC Goiás, Dirceu da Trindade, a ocupação de Goiânia é uma resposta à ausência de políticas públicas de preservação e ocupação dos espaços públicos. “Com o desenvolvimento da educação e, sobretudo, dos meios de comunicação on-line, teremos cada vez mais pessoas ocupando as praças e parques da cidade”, explica o professor.
Deste modo, diversos projetos têm surgido na capital, sempre com o propósito de dar à população uma alternativa saudável e democrática de viver tudo o que a cidade pode oferecer. Há leitura de poesias nos ônibus, há discotecagem na porta e sarau literário no edifício do Grande Hotel. As famílias estão pedalando, no Centro, Setor Universitário e Oeste. Há fotógrafos do dia a dia clicando as ruas da capital. Há dezenas de atividades acontecendo agora, na sua cidade!

 

 

 

 

 

 

 

 

Ocupar a cidade com arte

O estudante de Letras da PUC Goiás e atual diretor do Centro Cultural Goiânia Ouro, Kaio Bruno Dias, coordena diversas atividades culturais na capital. Aos 25 anos, ele acredita que é importante democratizar as atividades culturais, as ideias e os projetos, além de acolher o público estimulando a convivência social e a emancipação sociocultural de Goiânia.
Kaio Bruno está por trás de projetos como o Literatura no Eixo, um grande sarau de artes no Eixo Anhanguera, além de atividades literárias no Grande Hotel e programação musical no Cine Ouro. Ele também participa de eventos como o Sábado no Parque, que reúne artistas e público em geral em um evento mensal. Todos os projetos que desenvolve tem uma relação intrínseca com o Centro.
“Os projetos culturais que coordeno nasceram da aproximação entre a poesia que eu lia e escrevia, com os locais que frequentava no Centro. A vivência, o fuzuê da correria , da mistura de classes, de pessoas, de ideologias, de tudo que passa pelas ruas e avenidas, tudo isso vai mudando seu olhar sobre os lugares, as pessoas, sobre você mesmo”, explica o estudante.

Ocupar a cidade para redescobri-la

Apesar da poluição visual e da correria do dia a dia, Goiânia tem muito a oferecer. Você sabia que na década de 1950 o poeta e prêmio Nobel de Literatura, Pablo Neruda, ficou hospedado no Grande Hotel, na esquina da Avenida Goiás com a Rua 3? Você conhece os traços da art decó nos prédios? Já entrou no Teatro Goiânia e explorou os becos grafitados ao redor do Centro e do Setor Sul?
Uma iniciativa interessante para redescobrir a cidade é o projeto Goiânia em Fotos, um coletivo que reúne jovens amantes da fotografia e promove passeios por Goiânia. “O objetivo do projeto é repensar a cidade por meio da fotografia e trabalhar com as fotos de modo a promover debate e reflexão”, ressalta a jornalista e coordenadora do projeto, Marina Muniz Mendes.
Participante de uma das expedições propostas pelo projeto, a estudante de Publicidade e Propaganda da PUC Goiás, Bárbara Japiassú, ressalta que o projeto é muito positivo para quem se dispõe a andar pelas ruas e redescobrir pequenos detalhes. “Por um momento, enquanto fotografava, eu cheguei a acreditar que nunca tinha visto algumas partes de Goiânia”, ressalta ela que nasceu e cresceu na capital e hoje faz intercâmbio em Portugal.

Ocupar a cidade com lazer e esporte

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Goiânia possui uma ciclofaixa permanente ligando o Parque Vaca Brava ao Areião, além de outras vias mais curtas espalhadas pela cidade. No final de semana, uma extensão maior de ciclofaixas de lazer funciona nos finais de semana, geralmente no período matutino e vespertino, em locais como o Lago das Rosas e a Avenida Goiás, que é fechada para carros da Paranaíba à Praça Cívica.
Foi ali na Praça Cívica que o casal Danilo Rosolem e Kênia Maria Corrêa passeavam com o filho em um domingo ensolarado. Danilo no skate, Kênia e o filho na bicicleta. Indagado a respeito da iniciativa de fechar a Goiás para ciclistas e pedestres, Danilo foi categórico ao afirmar que demorou para que a iniciativa fosse tomada. “Nós sabemos que se não ocuparmos a cidade dessa maneira, com certeza vão achar outro jeito de ocupar esse espaço, talvez não tão democrático”, afirma ele, que se diz frequentador assíduo do Centro cultural Oscar Niemeyer.
Muitos dos ciclistas ainda reclamam da infraestrutura, porém reconhecem que este é o momento de pegar as bicicletas e irem para as ruas, aproveitando ao máximo o que já existe sem deixar de exigir melhorias no futuro. Nesse sentido é preciso que as pessoas se apropriem da vida urbana de modo que os órgãos públicos sejam obrigados a modificar suas dinâmicas e atender à demanda por parques bem cuidados, espaços seguros para ciclismo e fomento à cultura.
Para o professor de Arquitetura e Urbanismo da PUC Goiás, Dirceu da Trindade, a implementação de ciclovias não pode ser vista como uma alternativa isolada. Segundo ele, é preciso que haja ligação com outros meios de transporte. “Não faz sentido construir ciclovias sem ligações com terminais de ônibus, por exemplo, ou então de forma a serem interrompidas por obstáculos físicos”, explica o professor.

 

 

PUC Goiás formando os líderes de amanhã

Quem serão os líderes de amanhã? Onde estão os novos prefeitos, empresários e cientistas? Com certeza eles estão em sala de aula, aprendendo e se aperfeiçoando para assumir posições de destaque no futuro. A PUC Goiás tem cerca de 26 mil estudantes e é missão da universidade dar a estes alunos oportunidades para desenvolverem seus potenciais.
É o caso da estudante do 8º período de Enfermagem, Leila Fonseca, que é presidente da Liga Acadêmica de Saúde Coletiva e afirma estar descobrindo o fazer científico, aprendendo as metodologias para escrita e produção científica, além dos estágios já realizados. Segundo ela, um dos aspectos mais interessantes de sua formação na PUC Goiás foi ter aula com professores de outros departamentos. Ela tem o sonho de trabalhar junto às Forças Armadas.
Aliás, se há um aspecto que faz parte da vida acadêmica e que motiva alunos, professores e funcionários a caminharem juntos é a capacidade de sonhar. Os estudantes de Engenharia Ambiental, Rafael Mendes e Rafaela Felipe Silva, já começam a sonhar com o futuro profissional.
Ela sonha em trabalhar nas plataformas petrolíferas e ele nutre o desejo de desenvolver projetos de saneamento básico, uma área que carece de projetos e investimentos. Muitos dos que iniciam os estudos de graduação na PUC Goiás acabam tomando gosto pela academia e prosseguem na pós-graduação.

Jubileu de Diamante

Completando 60 anos em 2019, a PUC Goiás já se prepara para o Jubileu de Diamante e traça metas ambiciosas para as próximas décadas. Um dos pontos do projeto chamado Horizonte 60 é a internacionalização da universidade, que já tem mais de 30 convênios com universidades estrangeiras, e pretende ampliar o intercâmbio de alunos e professores.
Além disso, a implementação das escolas traz um novo dinamismo à organização estrutural da PUC Goiás, de modo que alunos e professores desfrutarão de um modelo que potencializa o diálogo e permite a mobilidade estudantil


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