Acordamos para a realidade aumentada jogando Pokémon GO, mas tem muito mais acontecendo, sabia?

É possível que você já tenha se espantado ao perceber em algum livro ou filme do passado uma determinada tecnologia utilizada hoje como algo extremamente futurista e improvável. Ainda não temos carros voadores, robôs domésticos ou mundos virtuais convincentemente realistas, mas há quem diga que isso é só questão de tempo. Estaria o futuro chegando rápido demais?

Provavelmente não. Após importantes revoluções tecnológicas nos séculos passados, as últimas décadas têm trazido evoluções nas áreas de robótica, visualização de informações e conexões em rede, mas tanta tecnologia tem se popularizado com certa cautela.

A realidade virtual, por exemplo, é um conceito existente, pelo menos, desde a década de 1950, com a construção dos primeiros simuladores de voo. Apesar disso, tem sido aperfeiçoada e, junto à realidade aumentada e à realidade mista, alcançado popularidade fora dos laboratórios ou das feiras científicas. “Hoje a tecnologia está bem melhor, mais acessível”, diz o prof. Aníbal Jukemura, da Escola de Ciências Exatas e da Computação da PUC Goiás.

Ele explica que para além de jogos como Pokémon GO, já existem projetos sendo realizados em diversas áreas, como na publicidade e na medicina. “Existem projetos, por exemplo, na Psicologia, para o tratamento de fobias de forma menos traumática”. Outra possibilidade, já explorada fora do Brasil, é a utilização da tecnologia para o turismo. “Existem museus europeus que permitem a visitação sem os objetos reais, digamos assim. Os visitantes convivem com os objetos virtuais”. Ampliando um pouco mais o conceito, segue o professor, “será possível ver monumentos antigos inteiros novamente, como as pessoas de suas épocas os viam”.

A intenção, diz ele, é que a tecnologia seja nossa aliada na expansão cognitiva. “Em qualquer área que você olhar hoje, existe aplicação”, afirma. Para a utilização da tecnologia, no entanto, contamos com o apoio de dispositivos, como celulares, óculos e projetores.
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Foi com um desses dispositivos – mais precisamente uma smartband, ou pulseira tecnológica – que o estudante de Engenharia Civil Antônio Ferreira Neto, 24, percebeu, pela primeira vez, em 2012, que tinha problemas com o sono, o que diminuía sua produtividade durante o dia. “Como a pulseira notifica os momentos em que você tem um sono pesado, sono leve e acordado, eu descobri que em uma noite eu acordava cerca de oito vezes. Então fui ao médico especializado e mostrei os resultados que o aplicativo mostrava”, relata. Para comprovação, Neto passou por exames, que constataram que em certos momentos da noite ele parava de respirar por alguns segundos. “Poderia estar com o problema até hoje”, reflete.

Coisas conectadas

Pulseiras, relógios, óculos. Para além da dupla celular e computador, é cada vez mais comum no mercado a venda de dispositivos conectados. A internet das coisas (IoT) é o passo que temos dado em direção ao futuro.

“Já temos geladeiras que fazem sugestões e dão avisos, plantações com sensores, mesmo os relógios e pulseiras com diversas funções próprias para os esportes e para o mundo dos negócios”, lembra o professor Cleidimar Pereira, da Escola de Engenharia da PUC Goiás. Segundo ele, a internet das coisas é uma evolução sem volta e deve gerar grandes impactos em áreas como a segurança patrimonial e a saúde. “A partir do momento que tudo estiver conectado, você pode saber tudo o que acontece na sua casa”, dá o exemplo. Para quem tem medo dos grandes golpes na vida hiperconectada, o professor alerta: “já existem técnicas avançadas de criptografia. A tendência é que com o aumento da tecnologia, ela se torne cada vez mais segura”.

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