Com bandas bem recebidas mundo afora e festivais de peso, Goiânia se firmou como um dos principais polos musicais do país

Boogarins, Hellbenders e Black Drawing Chalks são nomes que podem soar um pouco estranho à primeira vista, mas que são carimbados no meio alternativo goianiense, tocam em festivais na capital, no Brasil e no mundo. Há muito tempo se discute a força do cenário do rock em Goiânia, muitas vezes ressaltando uma “paradoxal coexistência” da música alternativa com o sertanejo. Captando os clichês que permeiam o meio cultural vale perguntar: Goiânia é a Seattle brasileira ou a Capital do Sertanejo?

Essa é uma pergunta interessante e há quem diga que atualmente o público circula em ambos universos musicais. Em Goiânia não é um espanto ter amigos que foram ao Caldas Country e também frequentam festivais como o Bananada ou o Goiânia Noise. Essa efervescência musical influencia jovens que decidem fazer música e percebem que não estão sozinhos e que há público e espaço para produção musical.
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A mistura de estilos é vista como um processo natural pelo produtor cultural e jornalista Carlos Brandão. Com grande experiência no cenário alternativo, Brandão foi responsável pela abertura de espaços como o Goiânia Ouro e o Martim Cererê para as bandas que começaram a surgir em Goiás desde meados dos anos 90. “O que falta em Goiás, muitas vezes, é abrir espaço para a molecada que quer fazer música, que quer fazer algo diferente. Eu percebi ao longo do tempo que Goiânia teve e tem um pouco de medo da juventude”, ressalta ele.

Fabrício Nobre, organizador do Bananada, que ocorre em Goiânia de 11 a 17 de maio, conta que o festival começou em 1999 como um encontro de amigos. “No início era simples, hoje montar o festival consome um ano inteiro de trabalho, entre programação e produção. São mais de bandas do mundo inteiro tocando. Uma maluquice que eu gosto de fazer”, afirma.

O trabalho realizado por produtores culturais e por bandas locais atraem atenção nacional para Goiânia – um exemplo ocorreu recentemente com edições do Bananada no Rio de Janeiro e em São Paulo. Um processo que há algum tempo seria difícil de imaginar, uma vez que historicamente Goiás sempre buscou referências fora. O momento do cenário independente no Estado é interessante, justamente por exportar ideias e trazer bandas e gente de todas as partes para curtir música e festas em Goiânia.
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O filósofo e estudante de jornalismo, Diego Veríssimo, que mantém o blog O Outro Indie, destaca que há um movimento forte das bandas em se fazerem conhecidas. Isso ganhou força com a internet – a atração de produtores e a própria divulgação musical se democratizou e é acessível para bandas que em outros tempos estariam isoladas do mundo. O Boogarins é um exemplo de que é possível usar a internet como ferramenta de divulgação.

O quarteto gravou suas músicas quase que artesanalmente e então enviaram para produtores de diversos lugares. Acabaram caindo nas graças de uma gravadora americana, Other Music, e de repente um contrato chegava até eles na velocidade da internet. Como resultado vieram diversos shows internacionais, como o Primavera Sound, na Espanha, e o SXSW, nos Estados Unidos, resenhas em sites internacionais de peso e uma perspectiva de ter a música como atividade integral, com dedicação exclusiva à banda

 

#Entrevista

Psicodelia: o som goiano do Boogarins

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Como foi o início da banda?

Dinho: O Benk e eu já tínhamos feito algumas músicas, e resolvemos gravar. Na verdade a gente brincava de gravar, tentando aprender como era fazer o som. O importante era fazer algo que a gente gostasse – só depois resolvemos tocar ao vivo, chamamos o Raphael e o Hans e aí virou uma banda.

Vocês gravaram e conseguiram um contrato com a gravadora Other Music, de Nova York. Isso catapultou a banda. Como foi esse processo?

Benk: Essa proposta de contrato no exterior foi muito engraçada, pois já tínhamos tentado lançar as músicas em cassete.  Pouco depois vinha um contrato pelo correio, vinil, CD, clipe. Isso aconteceu em um prazo que sei lá, da gente ter o nome da banda, que foi em fevereiro de 2012, e em pouquíssimas semanas depois estava tudo rolando.

A força do cenário alternativo em Goiânia, dos festivais, tudo isso ajudou no processo de criação?

Benk: Com certeza circular pelos festivais e shows abriu nossa percepção de que era possível fazer música, e que isso não é algo exclusivo para grandes bandas.

Como vocês recebem comparações grandiosas, como quando escreveram no New York Times que a música de vocês lembra Os Mutantes e tem uma pegada de psicodelismo brasileiro dos anos 60?

Dinho: Achamos isso bom. É verdade que temos uma onda dessas nas músicas. É bacana ouvir esse tipo de coisa, e é normal que as pessoas escutem nossa música e busquem associação entre o som que fazemos e bandas que eles ouviram do Brasil, coisas que eles curtem também.

Quando teremos um trabalho novo do Boogarins?

Raphael: Vamos lançar ainda esse ano, até porque se deixar pro outro ai vai ter que jogar fora esse disco. Esse trabalho tem muito baixo, podem esperar muito som de baixo.

Então vai ser tipo até 23h59minh do dia 31 de dezembro?

Dinho: Vai ser antes de dezembro… Antes de novembro… Antes de outubro…

Ynaiã: Olha que está ficando mais fácil…

Dinho: Antes de setembro…

Ynaiã: Olha, agora ficou fácil…

 

 


Fizemos uma playlist especial pra você que curte o rock goiano – e também pra você que talvez não conheça os sons feitos por aqui.

Aperte o play, aumente o volume e aproveite!