Drones ganham o espaço aéreo e se tornam nova opção de lazer e de trabalho

Fotos lindas de um ângulo nunca visto, monitoramento de plantio na agricultura, identificação de focos da dengue e até pesquisa da qualidade da água. Esses são alguns dos muitos usos dados a um robô polêmico, que nasceu com vocação bélica, mas ganhou a graça do mundo corporativo e ainda se tornou hobby de muitos marmanjos. Os drones já ocupam o céu de Goiânia, em trabalhos profissionais ou apenas divertindo seus operadores, apaixonados por novas tecnologias.

Arquidiocese de Goiânia © Lá do Alto – Todos os direitos reservados

Com modelos de um a 30 quilos, os Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants) são feitos, em sua maioria, de fibra de carbono e tem o voo similar ao dos morcegos. De pequeno porte, cada aeronave é comandada remotamente por um operador, que faz o controle remoto via smartphone ou rádio. Como as baterias precisam ser pequenas, para garantir a leveza, a autonomia de voo é curta. Mas não impede que eles sejam um espetáculo à parte na GO-060, em frente ao Centro Cultural Oscar Niemeyer, onde operadores se reúnem com seus drones para exibirem a potência de cada equipamento.

Foi assim que começou a brincadeira para o designer gráfico Luciano Siqueira Tavares, que comprou o equipamento em uma plataforma de vendas na internet, com o objetivo de fotografar seus trabalhos. Os resultados motivaram novas encomendas e o que era brinquedo virou instrumento de trabalho. “Peguei dicas de outros profissionais e comecei a operar. Minha primeira foto foi de uma indústria pra quem eu presto serviço”. Mas antes da primeira foto profissional, ele operou o drone para garantir a firmeza do voo. “É muito tranquilo e bem mais barato do que fotografar com helicóptero. Acrescentou muito”.

Goiânia © Lá do Alto – Todos os direitos reservados

Pra o arquiteto Ralph Paiva, o equipamento uniu hobby e trabalho. Há um ano ele sentiu necessidade de fotografar os projetos do Studio Um, assinados por ele e pela colega Sarah Alvarenga, e foi atrás de um modelo de drone. Ele comprou o veículo por encomenda, mas antes mesmo de colocar as mãos nele, já tinha aprendido a “pilotar” com informações do manual e de um simulador, que pode ser baixado no celular.

A qualidade dos registros virou trabalho e ele criou a empresa Lá do alto, que registra imagens aéreas da grande Goiânia e de outras cidades do interior, principalmente da arquitetura. A sócia é responsável pela produção das fotos, que mostram ângulos inusitados de prédios e construções. O que ele já viu lá do alto? “O que mais chama atenção é que a visão por cima é totalmente diferente. Fiquei surpreendido com as praças do Cruzeiro, Cívica e Nova Suíça”. Nas horas vagas, quando fotografa a cidade de Goiânia, ele registra os prédios em Art Déco e fica sempre “impressionado” com a deterioração destes espaços.

Pesquisa

Os alunos de Engenharia de Controle e Automação da PUC Goiás José Artur Cardoso de Oliveira Junior e Pedro Henrique Pinheiro Lima, orientados pelo professor doutor Antônio Medeiros, estão pesquisando uma variação dos drones em um projeto de Iniciação Científica. Eles criaram um aparelho de ROV (Remotely Operated Vehicle), que executa tarefas em ambiente subaquático com segurança, para pesquisar a qualidade da água.

Antiga Estação Ferroviária de Goiânia © Lá do Alto – Todos os direitos reservados

Legislação
A regulamentação dos drones, no Brasil, depende da função do seu uso. Lazer, esporte ou competição enquadram o equipamento como aeromodelo. Já aqueles que são usados para pesquisa, experimentos e serviços são Vants. No primeiro caso, há regras da Aeronáutica já praticadas com os aeromodelos, que impedem de ficar em áreas povoadas e que promovem a segurança, no caso de plateia.
Já no caso dos Vants, é preciso ter autorização prévia da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a regulamentação está em tramitação no Senado Federal. O presidente da Comissão de Especialistas para Reforma do Código Brasileiro de Aeronáutica, professor Georges Ferreira, a Anac já está tratando do assunto e já existem regras especiais de operação dos aparelhos, definidas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo. Para Ferreira, a novidade que o novo Código de Aeronáutica trará é a exigência de seguro para operação de drones. “O objetivo é a segurança dos pilotos e da comunidade em geral”