Quem é você?

Eu sei que captar sua atenção até o fim desta reportagem é um desafio e tanto. Neste exato momento tem alguma conversa rolando no Whatsapp e possivelmente um amigo já enviou uma foto bacana da festa de ontem. É difícil mantê-lo focado nesse texto, porém, vale a pena tentar – até porque é uma matéria sobre você jovem universitário, chegando ao auge dos 20 anos, hiperconectado, mutante da Geração Z. 150527---Mariana-Puc-VC-10-007

“Converso mais com minha mãe on-line do que pessoalmente” – Marianna Cândido

Já parou para pensar que o celular se tornou uma extensão do seu corpo? O fato de terem crescido rodeados pela tecnologia fez de vocês uma geração diferenciada, hábil entre diferentes telas interativas e sensíveis ao toque. Alguns estudiosos chegam a afirmar que os mais de dois bilhões de jovens nascidos desde 1995 possuem diferenças cerebrais significativas. Uma geração de mutantes com cérebros velozes, capazes de reter informações visuais de maneira instantânea, mas com dificuldades de processar temas complexos e de se debruçarem por muito tempo sobre assuntos mais polêmicos. Impulsivos, vocês se cansam rápido das coisas e estão sempre em busca de novidades. Existe até um nome para essa síndrome, que seria algo como medo de perder as novidades. Para a estudante de Jornalismo, Marianna Cândido,18 anos, esse é um dilema constante que faz com que ela fique conectada o máximo possível. “Gosto muito de moda e sempre acompanho as novidades. A possibilidade de perder uma tendência ou não entender um meme publicado é algo que me assusta”, explica ela.

“Biblioteca é quase um museu. Tem tudo no Google!” – Leonardo Calegari

Para o professor de Psicologia da Universidade de Sorbonne, na França, e autor do livro Aprender a Resistir (ainda não publicado no Brasil), Olivier Houdé, vocês, nativos digitais, funcionam como uma espécie de trem bala cerebral, que transita rapidamente do olho ao polegar, buscando atalhos visuais e tomando decisões de modo prático, sem grandes dilemas. No entanto, o poder de interpretação do mundo acaba ficando prejudicado, justamente porque essa é uma geração prática, que toma decisões na velocidade de um clique e não quer perder tempo com assuntos monótonos. Essa não é uma análise feita apenas por estudiosos. O estudante de Psicologia da PUC Goiás, Gabriel Mendonça, 18 anos, afirma que um dos problemas de sua geração é não ter criticidade para filtrar a enxurrada de informação disponível on-line. “As pessoas opinam muito e é possível que alguém que defenda algo hoje esteja postando algo absolutamente ao contrário daqui uns dias. Falta conhecimento e criticidade”, avalia.

Mundo real x mundo virtual

Um dos maiores dilemas da Geração Z é encontrar o equilíbrio entre a vida real e a virtual. “É muito comum sair com os amigos e perceber que está todo mundo imerso nos seus celulares. É como se o mundo virtual fosse muito mais interessante do que simplesmente conversar com as pessoas”, diz a estudante de Arquitetura, Lorrayne Rezende, 20 anos. Essa imersão nas redes sociais acabou criando uma geração que tem vontade de dizer “eu te amo”, que anseia “passar mais tempo com a família” e gostaria de “ficar offline quando sai com os amigos”. A rapidez da vida on-line parece ter tornado a convivência pessoal banal e monótona. As pessoas são mais interessantes no Instagram do que na vida real, “estão todos vendendo uma imagem de felicidade que não condiz com o dia a dia”, afirma a estudante de Enfermagem Larissa Marins, 21 anos. Leonardo Calegari, estudante de Engenharia Civil, conta que uma das semanas mais complicadas que passou, desde que se mudou para Goiânia, foi quando perdeu o celular e ficou sem internet. ”Realmente não dá para viver sem celular”, diz o estudante que passa uma média de 8 horas por dia conectado.

Antes de morrer, eu quero…

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“Ficar sem internet? Aí &%$#u!” – Gabriel Mendonça

Os objetivos de vida da Geração Z também são muito diferentes em comparação ao que queriam as gerações anteriores. Para os seus pais, o simples fato de terminar um curso superior já era uma grande vitória e o próximo passo era conseguir um emprego estável para o resto da vida. Já os adolescentes de hoje sabem separar a vida profissional da vida pessoal e querem, em longo prazo, trabalhar com algo que dê mais satisfação pessoal do que meramente estabilidade financeira. Não existe um trabalho para a vida toda e se o ambiente corporativo não é desafiador, provavelmente não atrairá esses novos profissionais que fogem da monotonia e da burocracia. No fim das contas, todos vocês estão em busca de uma realização pessoal que se reflita em melhoria da qualidade de vida. Para que os desejos dos futuros donos do mundo se concretizem, é preciso vencer as barreiras criadas pelo mundo virtual que ao mesmo tempo une e separa essa geração. Em se tratando das ambiciosas metas e borbulhante criatividade da Geração Z, a pergunta é: será que vocês conseguirão vencer esses desafios? Sem-Título-4