“Eu juro, eu nunca quis ser bom, sempre desafinei. Mas agora eu entrei no tom”

– letra da música “Fim”

Confira a primeira parte da entrevista com o Boogarins, a banda nos recebeu em seu apartamento para uma conversa descontraída a respeito de como foi todo processo de gravação experimental do primeiro disco. Os integrantes contam como se conheceram, quando viraram uma banda e qual é o conselho que dão para os músicos que estão começando agora.

PUC VC: Como vocês se conheceram?

Dinho: Cheguei a Goiânia em 2006, e comecei a tocar com outra banda chamada Ultra Vespa. Comecei a ir a shows e frequentar os festivais que acontece aqui em Goiânia, conheci o Raphael em 2010 nos bastidores ele tocava em outra banda na época. Já o Benk eu conheci na época do ensino médio no CEFET/GO (atualmente IFG).

PUC VC: E como foi o início do Boogarins? Como foi o processo de gravação das músicas? Depois de prontas vocês divulgaram na internet?

Dinho: Eu e o Benk tínhamos algumas músicas, e nós brincávamos de gravar fazendo o som que a gente gostasse. Primeiro a gente só gravava, depois decidimos fazer shows. Foi então que resolvemos chamar o Raphael e o Hans pra fazer o som com a gente, aí virou Boogarins.

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“Primeiro a gente só gravava, e só depois decidimos fazer shows. Foi então que resolvemos chamar o Raphael e o Hans pra fazer o som com a gente, aí virou Boogarins”.

PUC VC: O som que vocês faziam era uma espécie de experimentação?

Benk: Com certeza, nesse tempo que a gente estudava junto no ensino médio o Dinho tocava em outra banda, e a gente tinha algumas músicas juntos, só que nós não tínhamos a pretensão de montar a banda, só queríamos fazer um som. Eu estava começando a gravar algumas coisas mostrei para o Dinho, ele achou massa. Ele disse que a gente devia continuar gravando juntos. Até então era só por conseguir fazer o som que a gente gostava de escutar e aprender a gravar. Dinho e eu nos reunimos aos domingos e ia tentar fazer as músicas só isso.

PUC VC: Raphael você entrou na banda depois que o Benk e o Dinho começaram a gravar algumas músicas, qual foi sua reação inicial quando ouviu os primeiros trabalhos?

Raphael: O Dinho e eu estávamos em uma festa, ele me mostrou duas músicas. E eu fiquei muito de cara, porque o som era muito maluco. Achei muito fantástico.  Depois de um tempo o Dinho falou comigo via facebook: “Hey e aê, vamo tocar um baixo e tal?”… O primeiro ensaio foi bom, tocamos algumas músicas e já parecia que era uma banda de verdade. Depois do primeiro ensaio, o Benk mandou um e-mail com todas as musicas, porque até então não tinha ouvindo as outras músicas que eles tinham gravado, eu escutei lá em casa, eu mostrei pros outros e falava: “olha o som dos caras, som da minha banda”.

Benk: Isso foi antes de ser Boogarins, a gente começou a tocar as músicas e foi decidir o nome quando já estávamos nós quatro tocando juntos.

PUC VC: Depois de terem feito tudo isso, como vocês receberam o convite da gravadora Other Music?

Dinho: O Benk mandou um e-mail para um tanto de gravadora aí veio esse convite.

Benk: Foi muito rápido o processo todo, depois que nós terminamos de gravar as musicas a gente lançou em março de 2013. Em abril já estávamos conversando com o pessoal da Other Music, depois de mandar e-mail divulgando a banda. Não imaginava que ia conseguir o contrato com gravadora.A gente tinha feito nossos próprios cassetes, depois apareceu uma proposta, mas quando apareceu a oferta da Other com contrato com CD, vinil e clipe, a gente percebeu que era uma coisa mais séria, mais certa e estruturada. Só que isso aconteceu em um prazo muito rápido, era eu e o Dinho fazendo musica, e musicas que às vezes a gente pensava estava muito diferente da outra e regravávamos. Não era uma coisa que era um produto pronto, sabe? Nós não estávamos pensando em gravar um disco. Não tinha identidade nenhuma na verdade. As musicas eram muito diferentes uma das outras. As composições eram diferentes. Só que eu acho que no final a gente conseguiu fazer o disco, mesmo que no início não tivéssemos pensado daquela maneira. Foi um processo.

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“… no final a gente conseguiu fazer o disco, mesmo que no início não tivéssemos pensado daquela maneira. Foi um processo”.

PUC VC: Vocês têm algum conselho/dica para as bandas que estão começando agora?

Dinho: Eu tenho cara. É tocar e deixar de frescura, deixar de onda e tocar numas boas festas. O segredo é tocar… e ter muitos amigos. Porque se não for assim, ninguém vai ao seu show.

Raphael: É verdade (risos). Tocar com seus amigos…

Benk: Fato! Precisa tocar com seus amigos.

Dinho: Tocar com amigos que têm mais amigos ainda. Esse é o canal.

Benk: No final das contas, você vai tocar porque curte, não vai ficar rico e na real? Sabe-se lá se vale a pena…

“Passo a passo, pois longe vou devagar”

– letra da música “Despreocupar”

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Está curioso pra saber quando sairá o aguardado segundo disco da banda e como é o processo de composição das músicas deles? Então confira a segunda parte da entrevista com pessoal do Boogarins

PUC VC: O fato de o primeiro disco ter conseguido uma repercussão positiva no cenário alternativo gerou uma pressão na hora de gravar o segundo disco de vocês?

Dinho: Rola a pressão de a gente continuar fazendo música boa e não parar. O importante é não ficar ocioso dentro desse processo de estar tocando e de continuar gravando igual antes, fazendo musica na mesma pilha, e nunca perder esse gás.

PUC VC: Como é o processo de composição das músicas de vocês?

Dinho: Surge uma ideia inicial de alguém depois a gente toca junto. Para esse segundo disco a gente faz tudo muito diferente do que nós fizemos no primeiro disco, onde o Benk e eu sentamos juntos e fizemos as músicas no violão e depois tentamos gravar. E foi mudando o processo, porque tivemos que aprender a gravar, tem música no disco que o Benk fez sozinho. Hoje em dia tem certa diferença de como uma ideia caminha, porque são quatro pessoas fazendo um som juntos.  Quando surge uma ideia inicial nós construímos uma música juntos, por exemplo, o Ynaiã e eu dando uma ideia na bateria, o Raphael fazendo o baixo, e, mais do que nunca, as linhas do baixo mudaram muito em relação ao som que fizemos no primeiro disco. Essa construção de cada um trazendo um som nunca funcionou tão bem de uma maneira que você vê o cara botando muito a personalidade dele na concepção da música. Eu vou chegar com quatro notas que eu fiz e o Raphael vai vir com o baixo que é muito dele, e o Benk chega por cima com um som que também é muito dele. É muito bom o jeito que a gente está fazendo agora, é muito individual, mas de certa forma rolando ali com todo mundo junto, cada um colocando a sua personalidade na música. Enfim, é bem doido.

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 “É muito bom o jeito que a gente está fazendo agora, é muito individual, mas de certa forma rolando ali com todo mundo junto, cada um colocando a sua personalidade na música. Enfim, é bem doido.”

PUC VC: O disco novo vocês vai continuar nessa mesma pegada ou tem estilos diferentes?

Benk: É diferente, porque é um disco em que tocamos os quatro juntos. Não é um disco gravado pelo Dinho e eu. É um disco que tem muito baixo no som.

Raphael: Tem solo de baixo.

Dinho: É, tem muito solo de baixo.

Ynaiã: Também tem sintetizador.

PUC VC: O disco foi gravado aqui em Goiânia?

Dinho: Não a gente gravou depois de tocar no Primavera Sound, na Espanha no Circo Perrotti.

PUC VC: Quando vamos conferir esse novo álbum do Boogarins?

Ynaiã: Uai, pelo que eu ouvi ai nas ultimas entrevistas… Minha resposta é baseada nas ultimas entrevistas que é dentro de muito pouco tempo.

Benk: “De muito em pouco tempo”. (brinca)

Ynaiã: Isso de muito em pouco tempo é engraçado. Está aí.

PUC VC: E quando seria isso?

Raphael: Em breve…

Ynaiã: É uma unidade de tempo relativa…

Benk: Mas é em 2015!

Ynaiã: Nesse espaço de tempo…

Dinho: Até antes ou depois da metade…

Benk: Até antes ou depois…

PUC VC: Então esse ano a gente pode esperar o disco novo do Boogarins?

Ynaiã: Pode.

Benk: Pode sim.

Raphael: Pode, porque se for pro outro ano, ai vai ter que jogar fora esse disco.