Capital avança na criação de espaços específicos para circulação de bicicletas, mas ainda necessita de ações conjuntas entre poder público e iniciativa privada para expandir o uso do veículo

Com pouco mais de cinco quilômetros de ciclovia implantados, Goiânia dá pedaladas lentas rumo ao que estabelece seu Plano Diretor. De acordo com o documento, fundamental para organizar a cidade, a capital deveria contar com 140 quilômetros de espaço exclusivo para o tráfego de bicicleta.
Atualmente, a malha cicloviária está presente nos setores Sul, Central, Bueno, Oeste e Marista, incluindo também 14,3 quilômetros de clicofaixas, e 7,3 de ciclorrotas, de acordo com a Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT).

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Apesar dos números acanhados, na avaliação da professora Deborah Rezende, da Escola de Engenharia da PUC Goiás, Goiânia caminha positivamente para a melhora no trânsito. “As ciclovias e ciclofaixas, hoje, são inevitáveis. Estamos em um início de caminhada, mas já temos bons exemplos e é um caminho sem volta”, diz ela, que participou da elaboração do Plano Diretor de Goiânia, em 2007.

Entre os exemplos, Paris e São Paulo. A primeira estabeleceu que até 2020 o centro da cidade terá restrição de circulação de veículos poluentes. A segunda fecha a região aos domingos, para os veículos, e investe nas ciclofaixas. “Esses espaços para as bicicletas estão, na verdade, valorizando o trânsito, no sentido de tirar os carros e dar acesso mais fácil às vias”, pondera Deborah.

Na análise dela, o aumento do número de pessoas que usam o veículo para o lazer e para o trabalho (leia correlata) depende de ações não só do poder público, mas também do privado. Iniciativas como estacionamentos para bicicletas e banheiros disponíveis para quem escolhe a ‘magrela’ como meio de ir ao trabalho e precisará de um banho antes de começar o expediente também são necessárias. “Não basta só o poder público tomar ações. É preciso uma consciência coletiva”, defende.

‘Magrela’ para lazer e trabalho

Incentivado pelo exemplo de um colega de trabalho, o prof. dr. Breno de Faria e Vasconcellos, 47, do curso de Zootecnia da PUC Goiás, começou a incorporar a bicicleta como meio de transporte em 2014. O colega seguiu novos rumos profissionais, mas ele já havia se convencido das vantagens de substituir o carro pela bike. “Foi um negócio que me surpreendeu, para falar a verdade. Eu achava que a minha casa fosse muito longe do Câmpus II (no Jardim Mariliza), mas vi que gastava só 10 minutos a mais de bicicleta”, explica.

Hoje, por conta do horário das aulas que ministra, prefere utilizar a bicicleta nos meses em que não contamos com o horário de verão e aos finais de semana. “A experiência é fantástica, de verdade. As pessoas têm mais medo do trânsito, mas ele não é exatamente um risco de você tem prudência. Já não digo o mesmo dos assaltos, onde o risco é real e muito grande”, pondera ele.

Vasconcellos lamenta o ainda baixo número de bicicletários com boa estrutura para guardar a bike em segurança nas organizações e empresas da cidade. A preocupação com a segurança o levou a descobrir os grupos de ciclismo da capital. Além de poder circular com mais pessoas, também acabou trocando experiências e fazendo amizades.

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Entre os grupos que frequenta, está o Pedal Goiano, dirigido pelo advogado Diogo Brandão, 30. Desde 2010, o grupo organiza passeios em várias rotas, passando pelos parques de Goiânia. Para além do lazer, encampam iniciativas para fomentar a criação de condições para o uso da bicicleta.
“Começamos com um grupo de 12 amigos, que cresceu e passou a cobrar mobilidade na capital, cobrando ações da Prefeitura e do Estado”, recorda, citando como uma das vitórias a implantação da ciclovia na GO-020 (Bela Vista), com 52 quilômetros. Além dela, o perímetro urbano da capital possui espaços exclusivos para bicicletas na GO-060 (Trindade), com 14,8 quilômetros, e na GO-403 (Senador Canedo), com 10 quilômetos de extensão.

Atuando na área Direito Imobiliário, Brandão pedala pelo menos três vezes por semana de sua casa, no Setor Oeste, até o escritório, na Avenida Portugal, no Setor Marista. “Faço o trajeto em 13 minutos. De carro, gasto 10 minutos a mais”, compara. Para ele, a cada dia, a bicicleta é vista como um meio de transporte viável, tanto pelo baixo custo de manutenção quanto pelos benefícios à saúde (veja quadro).

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