Fotos: Weslley Cruz

Guardiões do patrimônio arqueológico

Já pensou em gerenciar coleções de museus importantes para a humanidade e trabalhar de forma dinâmica, com pesquisas de campo?! Saiba como atuam os arqueólogos dessa área

Curso
Arqueologia
Conceito MEC
Nota 5 do MEC (reconhecimento máximo)
Modalidade
Bacharelado (presencial)
Turno
Noturno
Vagas
20
duração
Três anos e meio
Formas de acesso
Vestibular Geral (prova ou Enem), Vestibular Social (prova ou Enem), Prouni, Fies, Transferências, Portador de diploma.

Gerenciar coleções, organizar eventos, fazer pesquisa de laboratório e de campo e escavar sítios arqueológicos fazem parte do dia a dia, bem dinâmico, de um arqueólogo que trabalha em museus. O mais interessante desta missão é que o profissional exerce atividades além dos muros da organização onde atua.

De natureza multidisciplinar, com uma abordagem da evolução humana à história indígena recente, a Arqueologia traz aos profissionais, entre inúmeras atividades, a tarefa de salvaguarda de relevantes patrimônios arqueológicos, que revelam a história, os costumes e a cultura de um povo.

O egresso da primeira turma do curso de Arqueologia da PUC Goiás, Diego Mendes, viu nessa área uma fonte rica de conhecimento que dialoga com as Ciências Humanas, Biológicas, e outras afins. Após a graduação, ele fez mestrado no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, atuou como arqueólogo de campo na Fundação Aroeira, realizando a escavação de sítios arqueológicos no interior de Goiás, e também já trabalhou no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde teve a oportunidade de conhecer os aspectos legais e as políticas públicas ligadas ao patrimônio.

Toda essa experiência aflorou no profissional sua preocupação em investigar como as pessoas se relacionam com o patrimônio arqueológico e qual o interesse delas, principalmente, as comunidades indígenas. Atualmente ele trabalha no Museu Antropológico da UFG como arqueólogo e, também, como vice-diretor. No Museu atua com arqueologia pública e/ou colaborativa, que aborda a relação dos indivíduos com o patrimônio arqueológico; estuda coleções, além de propor modelos de dispersão de sítios. O espaço abriga coleções desde a década de 70 do século XX, totalizando 200 mil peças arqueológicas, oriundas de diferentes áreas do Centro-Oeste.

Me parece que a Arqueologia supera as dicotomias entre natureza e cultura e, ao mesmo tempo, tem uma materialidade, porque se preocupa como as pessoas se relacionam com as coisas, com os objetos, com a cultura material. É muito interdisciplinar, aberta a diferentes perspectivas”.

Diego Mendes, egresso da primeira turma do curso de Arqueologia da PUC Goiás

“A Arqueologia e a Museologia andam de mãos dadas e temos muito a aprender com elas. Meu dia a dia é trabalhar com essas coleções, temos duas reservas técnicas arqueológicas e o Museu tem que dar o endosso institucional, que é uma carta que comprova o recebimento do material e que será salvaguardo para sempre. O patrimônio arqueológico é um bem da União, protegido por uma série de dispositivos legais, então uma das coisas que fazemos é gerir nossas próprias coleções”, descreveu.

Além de guardar o patrimônio, um arqueólogo que atua em museus também é responsável por dar um tratamento novo às coleções, fazer um acondicionamento, traçar uma logística do espaço, controlar a temperatura, o clima das reservas técnicas e todos os requisitos necessários para proteger o material ao longo dos anos.

Caso assuma a função de gestor de museus há, também, a parte burocrática da missão, que são as atividades que envolvem alocação de recursos, gestão de pessoas e trabalho em equipe. Engloba também o trabalho relacionado à pesquisa e o estudo dessas coleções sobre outras perspectivas, de forma a fazer perguntas que arqueólogos anteriores não fizeram.

“No ano passado, fizemos um trabalho de campo muito importante na Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. Também pensamos a Arqueologia Colaborativa com os índios karajás em Arauanã e na Ilha do Bananal. Meu cotidiano é bem dinâmico, envolve pesquisa de campo, de laboratório e curadoria”, complementa.

Como muitos museus de Arqueologia no Brasil estão vinculados a universidades, também existe um trabalho pedagógico ao acolher estudantes para prática de aulas e estágio; organização de eventos acadêmicos e atividades na extensão.

Áreas de atuação

Gostou da experiência do Diego e tem um interesse nesta área do conhecimento?! O primeiro caminho para trilhar uma carreira na Arqueologia é fazer um curso de graduação. Segundo a coordenadora do curso de Arqueologia da PUC Goiás, profa. Cristiane Loriza Dantas, esse ramo cresceu expressivamente devido a sua inserção nos estudos de impactos ambientais, o que ampliou seu mercado de trabalho.

Para os profissionais recém-formados, assim como os que possuem experiência, as áreas de atuação envolvem a arqueologia de impacto, que está vinculada a processos de licenciamento ambiental, já que empreendimentos de diversas naturezas não podem ser implantados sem que ocorra a pesquisa arqueológica. Mas essa é uma das inúmeras oportunidades que podem surgir para o profissional. Arqueólogos com mais experiência e com formação em nível de pós-graduação estão sendo inseridos nas universidades públicas e privadas, construindo carreiras acadêmicas.

“Durante os 10 anos de existência do curso de graduação em Arqueologia na PUC Goiás, diversos segmentos absorveram os egressos do curso e estas áreas de atuação se ampliam em consonância com as necessidades apresentadas pelo mercado de trabalho”, ressalta a profa. Cristiane.

Por meio do acompanhamento dos egressos foi possível verificar que mais de 90℅ deles estão atuando na área de formação e em segmentos distintos, tais como universidades, iniciativa privada, serviço público federal, estadual e municipal, dentre outros.

Sobre o curso

Vinculado ao Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia da universidade (IGPA), o graduado em Arqueologia pela PUC Goiás estará capacitado ao exercício do trabalho na área de Arqueologia, em todas as suas dimensões. Por meio das disciplinas tem acesso aos fundamentos teóricos do pensamento arqueológico; domina as práticas para a realização de escavação em sítios, além de desenvolver competências para analisar o material arqueológico e aplicar as modalidades de preservação dos seus vestígios.

“Para ser arqueólogo é importante ser um estudante dedicado, uma pessoa de boa conduta ética, pois todas as outras habilidades serão adquiridas no decorrer do curso”, aconselha a professora.

Vale ressaltar que o curso de Arqueologia da PUC Goiás ganhou conceito máximo do MEC (nota 5), escala avaliativa que considera o corpo docente, projeto pedagógico e infraestrutura dos cursos de graduação de todo o país.

Formas de ingresso

O curso disponibiliza 20 vagas por semestre, no turno noturno. Entre as formas de ingresso, o candidato pode optar pelo Vestibular Geral da universidade (escolhe entre fazer a prova ou concorrer com a nota do Enem) ou Vestibular Social, que concede bolsa de 50% para os candidatos com o perfil socioeconômico descrito no edital. Nesse caso, o aluno também pode escolher entre fazer a prova ou concorrer pela nota do Enem.

Independente da modalidade é necessário fazer inscrição na página vestibular.pucgoias.edu.br e efetuar o pagamento da taxa de inscrição. O curso recebe estudantes oriundos dos processos seletivos para transferências e portadores de diploma e também acolhe estudantes do Prouni e Fies .

Bolsas e oportunidades

Além de oferecer vagas pelo Vestibular Social, o estudante também pode tentar uma bolsa pela OVG ou usufruir as oportunidades oferecidas durante a trajetória da graduação. Caso se destaque em alguma disciplina pode atuar como monitor, auxilando colegas no processo de ensino-aprendizagem, ou se tiver um perfil mais voltado para a pesquisa, terá a chance de desenvolver um projeto na iniciação científica, caminho que incentiva a carreira acadêmica, além de permitir ao estudante um novo olhar sobre o conhecimento, competência que é um diferencial para o arqueólogo.

Nas duas oportunidades mencionadas há o benefício da bolsa. Mais informações sobre essas e outras oportunidades que incentivam a permanência na graduação podem ser obtidas na Coordenação de Assuntos Estudantis (CAE), pelo telefone: 3946-1062/1063.

Este e outros 43 cursos de graduação fazem parte do Vestibular Geral. E é do seu jeito: faça prova ou use sua nota do Enem.

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