Com foco e tranquilidade, o famigerado “bicho de sete cabeças” pode virar apenas uma simples atividade acadêmica

TCC, sigla para Trabalho de Conclusão de Curso. Mas também pode ser TFG (Trabalho Final de Graduação), TGI (Trabalho de Graduação Interdisciplinar) ou apenas TC (Trabalho de Curso). Os nomes mudam, mas o frio na barriga continua o mesmo. Isso porque o projeto que marca a reta final de um estudante de graduação traz consigo uma série de dúvidas. Que tema escolher? Qual o orientador ideal? Será que vai dar tempo de ler e fazer tudo que é exigido?

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Quando caloura, Rafaela Guimarães, 21 anos, imaginava a experiência como um verdadeiro bicho de sete cabeças. “Para ganhar bagagem e horas extracurriculares, os professores nos levavam para assistir bancas de TCC. Eu olhava para aquilo e ficava desesperada. Porque até o terceiro e quarto períodos eu não fazia ideia do que queria fazer.” Agora, no último semestre do curso de Publicidade e Propaganda, ela se vê confiante na escolha que fez. Ao lado do parceiro de dupla e também namorado, Gabriel Alencar, 21 anos, o projeto de conclusão de curso adquire sua forma final. Para apresentação prevista para o começo de dezembro, os futuros publicitários desenvolvem um plano de comunicação para a Baby Happy, empresa na qual Rafaela trabalha desde 2013.

A decisão de executar o projeto em dupla veio antes da relação afetiva do casal. “Eu tenho uma certa dificuldade de fazer coisas sozinha. Preciso de alguém para trocar ideias. Ainda mais na publicidade onde compartilhar é fundamental,” explica Rafaela. Seguindo a dica de um dos seus professores, no decorrer do curso experimentou fazer trabalhos acadêmicos com diferentes pessoas da turma. A ideia era poder escolher entre os colegas alguém que se encaixasse em seu perfil e método de trabalho. “No final foi uma escolha natural, porque a gente tem uma dinâmica muito boa,” conclui o namorado Gabriel.

Essa possibilidade de dividir as tarefas que só um trabalho em grupo permite não se estende a maioria dos cursos de graduação. No Direito, por exemplo, o aluno deve desenvolver individualmente uma pesquisa acadêmica e apresentá-la em formato de artigo ou monografia. Já no curso de Arquitetura e Urbanismo, o desafio está em aplicar conhecimentos adquiridos durante os dez períodos de graduação num projeto de intervenção urbana.

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Fernanda Andrade, 27 anos, conhece bem as duas experiências. Além de estar finalizando sua proposta de habitação e reocupação noturna do centro de Goiânia, ela também é egressa do curso de Direito. “No Direito, precisei ler e escrever muito para concluir a monografia. Mas para mim não se compara ao trabalho que estou tendo na arquitetura. Fora a pesquisa, preciso imaginar, rabiscar, desenhar. Fazer e refazer. Experimentar. Sinto que demanda um tempo maior.” Para conseguir dar conta do recado sozinha, a futura arquiteta se organizou. Ela dedica duas horas do dia para desenvolver seu projeto de conclusão do curso. “Tive esse foco de deixar minhas manhãs livres para este trabalho, todo dia eu faço um pouco,” explica

Segura esse forninho, Giovana

Não tem segredo. É no trabalho de conclusão de curso que o aluno tem a possibilidade de aplicar tudo aquilo que aprendeu durante os anos da graduação. Pelas diretrizes do MEC, cada curso elege sua forma de avaliação. Tem monografia, estudo de caso, revisão da bibliografia, pesquisa, projeto arquitetônico e/ou urbanístico, plano de negócio, projeto experimental, entre outros.  Para ajudar no desenvolvimento de um bom projeto, a coordenadora de TCCs do curso de Jornalismo da PUC Goiás, professora Noêmia Félix, pontua oito dicas importantes.

 

1 – A escolha do grupo

Se o seu curso é um dos poucos que permite a realização do trabalho em grupo ou dupla, fique atento. Noêmia orienta que a escolha dos integrantes deve ser pautada pela afinidade de trabalho. Procure integrantes que saibam trabalhar em equipe e que sejam responsáveis. Não faça apenas por amizade, pode ser um tiro no pé. Um bom grupo é aquele em que todos trabalham por igual.

 

 

2 – A escolha do tema

Aqui, afinidade também é palavra-chave. Escolha um tema que você tenha interesse e vontade de se aprofundar. Serão dias e mais dias de leitura sobre o assunto. Dependendo do curso, você ficará imerso nesse universo por até dois semestres. Sua vocação pode estar em uma matéria já cursada, por exemplo. Na dúvida, converse com um professor.

 

 

3- Não deixe para última hora

“Semana que vem eu faço.” Esqueça essa frase. Procrastinar pode lhe custar uma nota baixa e, alguns casos, adiar a entrega do diploma para mais um semestre. Reserve um tempo para leitura da bibliografia, escrever ou produzir. Se além dos compromissos com faculdade, você também tem um emprego, redobre a atenção. Não deixe o cansaço vencer nas suas horas livres.

 

 

4 – A tentação do plágio

Esqueça o CTRL C e o CTRL V. O trabalho de conclusão de curso é coroação de uma graduação. É aqui que você demonstrará todas as suas habilidades, técnicas e cognitivas. Por isso, não faz sentido algum copiar. “Ao roubar o projeto de alguém, você fecha o seu curso com uma grande mentira”, pontua Noêmia. Que fique bem claro: PLÁGIO É CRIME. Passível de expulsão. Faça uso de paráfrases. Basta contar com suas próprias palavras o que os autores presentes na sua bibliografia explicam sobre o assunto.

 

 

5 – Fuja das distrações

Whatsapp, Facebook, Snapshat, sua série favorita estreando no Netflix ou aquele painel de gatinhos do Pinterest. De repente já se foi meio-dia. Assim não dá! Reserve um tempo no dia para focar no TCC, de preferência desconectado. Você ganha mais quando direciona sua atenção para uma única demanda.

 

 

6 – ABNT

Nem todo curso exige a formatação do trabalho escrito nas regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Mas se pedir, não tem problema. Estas normas existem para padronizar e facilitar o entendimento do trabalho. Dedique-se a colocar seu TCC nessas regras desde o inicio, assim você evita o estresse de ter que formatar todo o trabalho no final.

 

 

7 – Dedique um tempo para a revisão

Quando você fica muito tempo imerso em um determinado assunto, corre o risco de deixar passar alguns errinhos (gramaticais ou não). Por isso, é muito importante submeter seu trabalho a revisão de um terceiro.

 

 

8 – Apresentação

Nada de pânico! São 20 minutos de apresentação. Não tem erro, basta seguir os tópicos de sua defesa escrita.  É tímido? Tente treinar de frente para um espelho ou peça alguns amigos para simularem uma banca de TCC. Com o domínio do conteúdo aliado com essas práticas você adquire a confiança necessária para fazer uma boa aparição.