No campo ou na cidade, a atuação do zootecnista tem mais influência na nossa vida do que o senso comum nos permite imaginar

Em tempos de crise, a agropecuária permanece sendo um dos pilares da economia brasileira. Somente no ano passado, o segmento levantou o Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 498,5 bilhões. A região Centro-Oeste se destacou na agricultura com R$ 92,5 bilhões e, na pecuária, com R$ 42,7 bilhões, garantindo uma das melhores posições entre as regiões do país. Os dados foram divulgados no final de janeiro, pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.

Tradicional na nossa região, a criação de animais com fins alimentícios se profissionalizou nas últimas décadas. Muito disso se deve à chegada da Zootecnia como ciência na segunda metade do século 20 – o primeiro curso, no Brasil, data da década de 1960, quando a profissão também foi regulamentada no país. Na PUC Goiás, o curso foi criado em 1992 e, desde então, tem formado profissionais que atuam dentro e fora do estado.

“Temos Rio Verde como a segunda maior cidade na criação de porcos, Piracanjuba como o maior produtor de leite do estado e o segundo maior do país e Goiás está entre os dez estados com maior produção de carnes”, contextualiza o coordenador do curso, prof. dr. Marlos Castanheira. “Consequentemente, isso traz um cenário bastante interessante para o nosso aluno e egresso, do que o Brasil precisa e espera para o desenvolvimento de sua economia”, justifica.

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Entendendo a área

Apesar de tamanha importância e de um mercado tão favorável na nossa região, ainda é muito comum ver pessoas comparando a Zootecnia à Medicina Veterinária sem entender muito bem as diferenças. Antes de disseminar o senso comum que ainda impera, vale a pena uma breve diferenciação, dada pelo próprio coordenador do curso: “O zootecnista é orientado para a criação, produção e beneficiamento industrial. O veterinário vai estar mais preocupado com a parte clínica, de doenças. O zootecnista com a higiene, profilaxia e produção animal, englobando os cuidados com a saúde do rebanho, o controle de vacinação, cuidados com inseminação artificial. Além dos cuidados com alimentação e oferta de alimento para esse animal, visando que ele produza bem”, diz o prof. Castanheira.

Como fica claro na parte do coordenador, a área é bem ampla. Seria importante então, para o futuro profissional, focar em uma ou algumas especialidades? Para a egressa Thassia Santana Reis, 30, sim. “Minha dica é que o aluno busque uma oportunidade pra ver se é aquilo mesmo que tem afinidade. Quando ele descobrir qual área gosta, ele tem que se especializar naquilo. O mercado está cada vez mais competitivo e independente de crise ou não, o mercado ainda é carente de mão de obra especializada”, afirma.

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O conselho dado pela profissional se baseia em sua própria experiência na carreira. Durante o curso, percebeu o gosto pela nutrição e pela tecnologia de processamento de alimentos. Para saber se esse seria o seu caminho, estagiou em diferentes áreas, o que confirmou suas impressões. Ao entrar como estagiária em uma grande indústria, há oito anos, não saiu mais. “Eu me considero uma profissional realizada na área”, conclui ela, que hoje é supervisora de qualidade na fábrica de ração da Agroquima. Até o momento, ela, que concluiu o curso em 2009, também fez cursos de curta duração, um MBA em Gestão da Qualidade e outra especialização em Produção de Ruminantes.

Independente do caminho profissional escolhido, os zootecnistas concluem sua jornada acadêmica com consciência do seu papel na economia do país. “Estamos vivendo agora uma crise e pode acontecer do agronegócio alavancar essa economia. Já aconteceu antes”, relembra o professor Marlos Castanheira. Ele está certo. As projeções do setor para os próximos anos são animadoras. Segundo o Ministério da Agricultura, a expectativa é que, até 2024, a produção de carnes tenha crescimento entre 31% e 54% sobre 2014 e a produção de grãos cresça entre 30% e 60%

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O zootecnista pode atuar em campo, na indústria, em laboratórios, empresas públicas e privadas com foco em produção animal, na administração de propriedades rurais além do ensino de Zootecnia (quando especialista, mestre ou doutor).

quanto

Os ganhos do zootecnista são embasados nas determinações dos conselhos regionais. Em Goiás, o responsável é o Conselho Regional de Medicina Veterinária do estado e a média inicial é de dois salários e meio, mas o profissional trabalha também com comissões, geralmente. “A renda pode ser muito superior a isso, dependendo do caso”, afirma o coordenador.

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Na PUC Goiás, o curso tem três pilares principais: genética, manejo e nutrição. As disciplinas da grade curricular destacam também questões ligadas à sustentabilidade e ao bem estar animal. Os acadêmicos ainda desenvolvem habilidades de gerência e administração ao longo dos cinco anos da graduação.