Mercado audiovisual em Goiás avançou nos últimos anos, com cadeia produtiva mais qualificada. Interface do cinema com cursos de Comunicação Social também é expressiva

Faz parte do universo da linguagem cinematográfica compreender os diferentes processos de comunicação. No cinema e no audiovisual, os produtores lidam com grandes equipes e profissionais de diversas áreas e especialidades. Até chegar ao público, toda a produção audiovisual passa pela comunicação e, também, depende dela para ter êxito. No âmbito acadêmico, diversos cursos possuem interface com o cinema. Na PUC Goiás, a produção audiovisual está implícita no dia a dia de alguns cursos de graduação, entre eles, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e até mesmo Arqueologia.

“A comunicação audiovisual tem um mercado muito grande e sempre vai aumentar as demandas, porque leva o espectador a outros lugares, realidades e épocas. Ela presentifica o passado”, afirmou o docente do curso de Jornalismo da PUC Goiás, prof. César Viana, que, desde 2014, supervisionou 87 documentários sobre cultura goiana, produzidos pelos acadêmicos do curso. Nesse processo de pesquisa e apuração, os acadêmicos tiveram uma melhor relação com a comunidade em que habitam a ponto de observar mais as tradições culturais da cidade e diversos assuntos ligados à cultura, utilizando a documentação audiovisual. Os trabalhos também têm rendido participações de estudantes em festivais e premiações regionais. Acadêmico do curso de Jornalismo, o pe. Warlen Maxwell, que já produziu três documentários desde quando ingressou no curso, considera que a graduação despertou o seu interesse para a área, auxiliando também sua qualificação: a comunicação foi somada ao seu olhar teológico e filosófico, já que seus documentários têm cunho cultural e religioso. “No começo era um grande desafio e uma impossibilidade. Mas estudando e analisando todas as possibilidades nos tempos de hoje, o audiovisual é essencial para nossa vivência dentro da comunicação.”, afirmou.

“A comunicação audiovisual tem um mercado muito grande e sempre vai aumentar as demandas, porque leva o espectador a outros lugares, realidades e épocas. Ela presentifica o passado”.
Prof. César Viana, curso de Jornalismo

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Para a professora do curso de Publicidade e Propaganda da PUC Goiás, profa. Patrícia Quitero, doutoranda em Arte e Cultura Visual pela UFG, o cinema sempre foi referência para a comunicação e, em função de sua potencialidade de linguagem criativa, persuasiva e envolvente, fascina os comunicadores de uma forma especial. “A produção audiovisual, sobretudo a produção de conteúdos publicitários para internet vem crescendo vertiginosamente. E isso ocorre, porque a linguagem publicitária mudou”, analisa a pesquisadora.

“A evolução foi muito grande nos últimos anos. O desafio maior não é conseguir dinheiro, é se manter fiel à sua visão, ser honesto consigo mesmo e o espectador, não ceder à vaidade, não fazer filmes para ser aplaudido, mas porque você precisa”.
Pedro Novaes, cineasta

Isso é reflexo de uma mudança de postura do próprio consumidor que, atualmente, quer relacionar-se com as marcas e não apenas consumi-las. “Eu vejo essa aproximação linguística: cinema x publicidade como um ganho imenso para todos. O cliente consegue qualificar sua marca aliando estéticas artísticas, o profissional tem mais liberdade criativa, artística e estratégica e o consumidor conseguiu a libertação dos formatos publicitários impostos pela mídia de massa”, analisou.
A professora também observa que a procura pela área tem aumentado muito no curso de Publicidade: “aqueles que antes pensavam em atuar em agências de propaganda têm buscado, cada vez mais, espaço em produtoras de vídeo e digital web e já estão se qualificando durante o curso: eles produzem e editam seus próprios vídeos, o que é uma característica bacana dos jovens desta geração, que é a autonomia”, concluiu.

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Cinema na prática

Para o cineasta Pedro Novaes, a relação com o cinema foi um caminho natural, afinal sua família tem uma história na área. Filho de Washington Novaes, um dos criadores e diretores da época áurea do Globo Repórter, ele decidiu trabalhar diretamente com cinema e TV, apesar de ser graduado em Geografia. Atualmente, o diretor se dedica a uma série em fase de finalização e está editando seu longa-metragem O Bem pra lá do fim do mundo.

“Quanto mais a gente faz filmes, menos sabe de cinema. Ele é imenso. Em Goiás, isso se magnifica, eu acho, por causa do nosso complexo de inferioridade, de estarmos fora do eixo central da produção. Mas isso é também uma oportunidade, porque é muito difícil ser autêntico em São Paulo também”, conta o cineasta, que enxerga, no mercado goiano uma cadeia produtiva dinâmica, cada vez mais profissionalizada e qualificada. “A evolução foi muito grande nos últimos anos. O desafio maior não é conseguir dinheiro, é se manter fiel à sua visão, ser honesto consigo mesmo e o espectador, não ceder à vaidade, não fazer filmes para ser aplaudido, mas porque você precisa”, relatou.

Para a professora do curso de Cinema e Audiovisual da UEG, Geórgia Cynara, o mercado audiovisual goiano tem crescido em grande velocidade, sobretudo, nos últimos 10 anos. Um dos avanços é a formação superior e técnica na área e muitos egressos em Cinema “movimentam” e profissionalizam a cadeia produtiva.