A educação está na base da sociedade, mas os professores ainda enfrentam grandes desafios no Brasil

Independente da sua idade ou profissão, atual ou futura, certamente alguns profissionais comprometidos com o seu aprendizado te auxiliaram na sua caminhada. São os professores que, muitas vezes, assumem o papel de abrir os nossos olhos para as diferenças que encontramos no nosso dia a dia. Desde uma aula de língua portuguesa, no início da nossa alfabetização, até outra sobre sociologia, na universidade, todo o aprendizado que carregamos acaba nos tornando quem somos, ajudando a formar a nossa visão de mundo, a nos comunicar com as pessoas ao nosso redor, enfim, a viver.

Apesar disso, a profissão, no Brasil, passa por sérias questões já há algum tempo: além da falta de valorização do docente, a sociedade ainda parece tímida para aderir, de forma efetiva, às pautas necessárias para a melhoria da educação no país. Pesquisas como o Censo da Educação Superior de 2013 também indicam que a procura por licenciaturas ainda é insuficiente para a demanda, principalmente em disciplinas como Química e Física.

“Sabemos que a valorização de qualquer carreira implica, necessariamente, na luta e mobilização da sociedade civil e movimentos sociais organizados”, reflete o prof. dr. Romilson Martins Siqueira, diretor da Escola de Formação de Professores e Humanidades (EFPH) da PUC Goiás. A escola congrega a maioria dos cursos de licenciatura da universidade, além de mestrados e doutorados, tendo mais de dois mil alunos.

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Segundo o diretor, a universidade e demais instituições formadoras de professores, bem como a sociedade civil organizada, movimentos sociais e entidades representativas têm, para a próxima década, como desafio o cumprimento das metas e estratégias do Plano Nacional de Educação (PNE) em vigência. “Ele deve pautar-se como um importante instrumento que deve assegurar políticas públicas para a educação”, assegura Romilson, ao destacar metas ligadas às formações iniciais e continuadas dos professores, à valorização dos profissionais e à existência de planos de carreira.

Vocação

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Egresso do curso de Letras e professor na rede pública, Thalmon Rodrigues, 26, percebe a forte influência da tia, professora aposentada, para a escolha do curso que mudou a sua vida. “Acho que um dos motivos de eu ter virado professor foi por causa dela. Por eu me inspirar nela, por ver o que ela conseguiu através da profissão e do amor que ela tinha”, ressalta. Hoje, após se encontrar na profissão, ele vê com esperança o futuro. “É algo que realmente não penso em parar de fazer. Eu sou esperançoso com relação à educação no Brasil. Na rede pública, eu vejo que alguns jovens têm um desinteresse muito grande, onde parece que eles não tem a escola como algo que vá funcionar para eles no futuro, sabe? Talvez pela falta dessa cultura dentro de casa, não sei. Pode ser um reflexo, mas eu sinto que ainda temos chance”, reflete.

Assim como ele, a mestranda em Ciências da Religião, Damiana Aparecida Oliveira Santos, 60, destaca os desafios para os próximos anos, reflexo da nossa cultura de desvalorização da educação como fator de transformação, mas se sente plenamente realizada por poder fazer parte da mudança que promete surgir. “Eu amo ser professora. Eu não consigo mais fazer outra coisa. A partir dos primeiros dias que comecei eu me apaixonei”, diz ela, que iniciou sua carreira como docente há pelos menos 30 anos, com aulas de ensino religioso. Depois de fazer Teologia e Pedagogia e investir no mestrado, a professora pretende ingressar em um doutorado, nos próximos anos. Caminho similar, também visando a docência no ensino superior, pretende ser seguido por Thalmon.

Formação

Justamente pelo importante papel do professor, é imprescindível que as instituições formadoras tragam para o currículo dos cursos de licenciatura discussões de caráter ético, histórico, reflexivo e de direito. “A EFPH soma-se a outras instituições que formam professores comprometidos com o bem público, com a cidadania, com a transformação social, com a democracia e com a garantia dos direitos humanos, civis e políticos a toda população brasileira, sem quaisquer formas de discriminação. Esta Escola deve ser, portanto, plural e formar profissionais comprometidos política, ética, técnica e pedagogicamente”, afirma o diretor.

quem

Em todos os níveis de ensino (dependendo do nível de formação), nas redes pública e privada, no terceiro setor, além de prestar consultoria.

quanto

Os valores variam muito da formação e do ambiente em que o docente atua. Na rede pública estadual, por exemplo, os salários variam entre R$ 964,85 [cargo PI com referência A] e R$ 3681,92 [cargo PIV com referência G], segundo a tabela 2015 divulgada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego). Valores diferentes também são encontrados na rede privada e em outros níveis de ensino, como o superior.

curso

A PUC Goiás conta, atualmente, com licenciaturas em Biologia, Educação Física, Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química, somando mais de 2.100 alunos. Saiba mais sobre todos eles no site pucgoias.edu.br.