Aperfeiçoamento dentro e fora de sala de aula pode ser decisivo para conquistar uma vaga no mercado de trabalho

Depois de um ano conciliando a graduação em Jornalismo com o trabalho na área de vendas, o estudante Geraldo Henrique Junior, 23 anos, decidiu dedicar-se integralmente à universidade. Mudou de Anápolis para Goiânia, deixou o emprego e, hoje, também estuda direitos humanos na Casa da Juventude Padre Burnier (Caju) e roteiro cinematográfico em outra instituição. “As vivências que tive neste semestre fizeram com que eu entrasse em contato com outras realidades”, enfatiza.

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A opção de Geraldo em não se limitar à sala de aula e, ao mesmo tempo, valorizar momentos como a realização das atividades acadêmicas, é bem vista pelo mercado de trabalho. E mais: pode ajudar a driblar a crise econômica, que diminui o número de contratações.

Entre as dicas dos recrutadores, estão a atualização constante e os estágios, trabalhos voluntários ou freelances para turbinar o currículo, principalmente de quem possui pouca ou nenhuma experiência (veja infográfico).

Coordenadora dos cursos de extensão da PUC Goiás, Flaviana Paula de Melo destaca o papel da educação continuada para quem deseja uma boa colocação no mercado. “O cursos de extensão fazem uma ponte com o mercado e com o universo acadêmico, pois os professores, em geral, têm experiência nos dois segmentos”, explica, informando que a carga horária varia de 8 a 400 horas.
Relacionamento

Além do aperfeiçoamento teórico e prático, os cursos propiciam um ambiente para a criação e para ampliação das redes de contatos, fundamentais para ingresso ou recolocação no mercado “Hoje, o profissional que se destaca é aquele que tem relacionamento, ainda mais em um momento de crise”, enfatiza o gerente sênior da recrutadora Robert Half, Lucas Nogueira (leia entrevista).

Foi o caso da egressa do curso de Ciências Contábeis da PUC Goiás, Fabíola Melo Resende, 45. Depois de quase duas décadas morando em Minas Gerais, ele retornou a Goiânia e conseguiu participar de um processo seletivo graças a uma colega. Elas se conheceram no curso de extensão sobre administração financeira de pequenas empresas, ofertado pela PUC Goiás.

“Perguntei se poderia encaminhar meu currículo para ela, que trabalhava em uma empresa de recursos humanos. Três meses depois, fui chamada para os testes”, relembra. Hoje, Fabíola é encarregada financeira de uma construtora.

Passaporte para o mundo

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Com ou sem crise, uma coisa é certa: os cursos de idiomas são um diferencial para o currículo e podem abrir as portas para experiências pessoais e profissionais. A análise é da coordenadora da PUC Idiomas, Angélica Ayres. Para ela, o aprendizado de uma nova língua abre portas no mercado de trabalho e amplia os horizontes de aprendizado.

“O estudante tem a possibilidade de conhecer novos lugares e oportunidade de mergulhar em uma nova cultura”, afirma ela, que viveu 17 anos na Itália e credita ao conhecimento do italiano a compreensão da vida naquele país

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

#Entrevista

Mais LinkedIn, menos Facebook

Gerente sênior da recrutadora Robert Half, Lucas Nogueira, aponta o networking como elemento fundamental para a inserção no mercado de trabalho. O fortalecimento dessa rede de contatos passa por interações face a face ou virtuais, com a utilização de redes sociais voltadas para o trabalho, como o LinkedIn. “Hoje, o profissional que se destaca é aquele que tem relacionamento, ainda mais em um momento de crise”, enfatiza. Confira a conversa do PUC VC com o especialista!

 robert-half-(67)PUC VC: Como tornar o currículo mais atrativo, sobretudo nesse momento de crise? Cursos são opções?

Lucas Nogueira: Antes de pensar em cursos de extensão ou oportunidades de intercâmbio, o estudante precisa identificar sua rede de contatos. Por exemplo: com quem estudei? Que tipo de empresa essa pessoa trabalha? O meu professor falou que presta consultoria para determinada empresa, então deixa entender melhor como funciona esse segmento. Então, antes de fazer um curso, avalie seu networking, saiba o que fazer com ele. Depois, você parte para um curso de extensão, para um curso de lato sensu ou stricto sensu, posteriormente. Hoje, o profissional que se destaca é aquele que tem relacionamento, ainda mais em um momento de crise.

PUC VC: E como construir esse relacionamento, tendo em vista que esse aluno, muitas vezes, só conhece os colegas de estágio e de universidade? 

Lucas Nogueira:Para toda entrevista que o aluno fez, seja para emprego, seja para curso de extensão, colegas que você acaba conversando no dia a dia, isso pode se potencializar para contatos profissionais lá na frente. Então, buscar professores, buscar colegas que já estão inseridos no mercado de trabalho. Buscar aquelas entrevistas que você fez no passado.
Um ponto que ajuda muito, também, são as redes sociais voltadas para o trabalho, como o LinkedIn, onde os profissionais inserem toda experiências acadêmica e profissional. Nessa rede, tem os fóruns de discussões sobre diversos temas. Por exemplo, tema da área contábil. O que está acontecendo na área contábil? Quais são as novidades? Muitas vezes, oportunidades acabam sendo divulgadas nesses fóruns, entende? Então, é potencializar a utilização das redes sociais, principalmente como o LinkedIn.

PUC VC: E redes como o Facebook e o Twitter, que são menos voltadas para essa questão do mercado, vale a pena postar algo sobre trabalho?

Lucas Nogueira:A minha sugestão é evitar esse tipo de rede. Obviamente, pode acontecer. Mas não é aquela que a empresa séria vai buscar. Não colocaria como uma primeira opção. O ideal é deixar para questão social e evitar confundi-las com a questão profissional. E vale o inverso também. Se você tem o LinkedIn, não use para postar foto do churrasco do fim de semana, nem da balada. Tem que tomar muito cuidado. Algumas empresas olham redes sociais, buscam referências de colegas, de ex-empregadores, de ex-professores, sobretudo para quem está começando. O LinkedIn é uma ferramenta que potencializa, mas o fundamental é o networking.

PUC VC: E para quem está saindo da universidade, é interessante ter um plano de carreira, colocar no papel os objetivos a curto, médio e longo prazo?

Lucas Nogueira: Hoje, com a internet, o profissional pode trabalhar de casa, fazer uma videoconferência, coisas que há 20 anos não existia. Isso ocasionou uma mudança na relação de trabalho. O recém-formado precisa entender que as primeiras posições que irá ocupar, se quiser levar a carreia a sério, a longo prazo, não são de gestão e de liderança. Ele tem que aprender primeiro para depois jogar de igual para igual. A sugestão é: sempre faça planos de dois em dois anos. É um período interessante para avaliar o que aprendeu e projetar os novos passos. Menos do que isso o ciclo de aprendizado em uma função ou empresa não é completado.